Com PM em greve, CE tem 'toque de recolher'

Justiça mandou policiais voltarem ontem ao trabalho, mas eles seguiram parados: à noite, grevistas e governo tentavam chegar a um acordo

CARMEN POMPEU , ESPECIAL PARA O ESTADO , FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2012 | 03h02

A Justiça Estadual do Ceará determinou o fim da greve dos policiais militares e bombeiros e seu retorno imediato ao trabalho, mas não adiantou. Com o argumento de ainda não terem sido notificados, os grevistas mantiveram a paralisação pelo sexto dia e o clima de insegurança se espalhou por Fortaleza. Comércio de rua, repartições públicas e escolas fecharam as portas. Houve relatos de arrastões.

Nos hotéis, turistas estavam sendo orientados a permanecer apenas nas proximidades, além de não carregar documentos importantes e grande quantidade de dinheiro. O medo tomou uma dimensão ainda maior após usuários de redes sociais postarem uma enxurrada de vídeos e comentários, tanto verdadeiros quanto falsos. Boa parte da população optou por permanecer em casa, deixando a ensolarada Fortaleza, em pleno verão, com clima de cidade fantasma.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Taxistas do Ceará, Vicente de Paulo Oliveira, cinco táxis foram roubados no centro da capital e dois foram roubados de uma concessionária da Volkswagen. Uma padaria na Avenida Antônio Sales, em uma das zonas mais nobres da cidade, foi invadida por bandidos. Um supermercado alguns metros adiante decidiu encerrar o expediente mais cedo.

Para o representante do Exército no Ceará, coronel Medeiros Filho, porém, há apenas uma "sensação de insegurança". Ele informou que está sendo aguardada a chegada de mais 2 mil homens da Força de Segurança Nacional, que desde o início do movimento tenta manter a ordem no Ceará. O governo cearense informou que 159 viaturas da Força Nacional estão em ação no Estado e até amanhã esse número será elevado para 184.

Greve. No fim da noite de ontem, a expectativa era de que a greve estava para acabar. O governador Cid Gomes negociava a assinatura de um acordo com os manifestantes. Foram atendidas três das seis reivindicações dos grevistas: a incorporação de R$ 859 ao salário dos policiais que atuam na madrugada, a diminuição da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais e anistia ampla e irrestrita a todos os que participaram do movimento grevista.

A proposta foi feita por telefone ao comando e os policiais grevistas, que estavam acampados no prédio da 6.ª Companhia do 5.º Batalhão da PM, se reuniram e acabaram aceitando a sugestão. O governo estadual afirmou que só negociará as outras três reivindicações após o término da paralisação.

Mas os cearenses ainda devem sofrer com novas greves. À noite, policiais civis, que também lutam por reajuste salarial, decidiram voltar à greve, desta vez com adesão de 100%. O sindicato da categoria alegou que a Polícia Militar conseguiu promessa de aumento, enquanto os civis ficaram parados por cinco meses conforme a lei, mas sem conseguir suas reivindicações.

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