Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Com piora da crise, Sabesp vai cortar mais investimentos em 2015

Diretor econômico-financeiro da companhia diz que empresa busca 'sustentabilidade econômica' e que obras para garantir segurança hídrica na Grande São Paulo estão asseguradas

Fabio Leite e Luciana Collet, O Estado de S. Paulo e Agência Estado

19 de maio de 2015 | 14h40

Atualizada às 22h33

SÃO PAULO - Com queda de receita, por causa da crise hídrica, e um reajuste na conta de água abaixo do pretendido, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) anunciou nesta terça-feira, 19, que vai reduzir ainda mais os investimentos previstos para 2015. Para o diretor econômico-financeiro da estatal, Rui Affonso, seria “irresponsável” não cortar os recursos, diante do atual cenário econômico do País e da escassez de água na Grande São Paulo. 

“Estamos fazendo os cálculos de quanto será a redução, mas isso é absolutamente dever de responsabilidade da companhia, ante uma situação de estresse financeiro, para garantir a sustentabilidade econômica”, disse Affonso nesta terça, durante teleconferência com analistas e jornalistas sobre os resultados da Sabesp no primeiro trimestre, quando as receitas e o lucro caíram 11,6% e 33,4%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2014. 


No fim de março, quando divulgou queda de R$ 1 bilhão nos lucros, por causa da crise, a Sabesp já havia anunciado uma redução de 26% nos investimentos para este ano, de R$ 3,2 bilhões para R$ 2,36 bilhões, em relação ao valor aplicado no ano passado. Na ocasião, a companhia informou que para garantir “as obras necessárias para manter a segurança hídrica” na Grande São Paulo, prioridade da empresa, reduziria em 55% os investimentos em coleta e tratamento de esgoto. 

Agora, Affonso disse que a “frustração” da Sabesp com o reajuste extraordinário de 15,2% na conta, aprovado pela agência reguladora no início deste mês, levará a novos cortes. A empresa queria um aumento de 22,7%. “Não é possível a Sabesp manter o nível de investimento projetado se há uma frustração de receita em relação à revisão tarifária e se as condições macroeconômicas todas pioraram”, afirmou. 

Questionado sobre quais ações e obras sofrerão com o corte, ele disse que a definição ainda está em estudo. No início do mês, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, já havia dito que o reajuste abaixo do esperado levaria ao adiamento de obras, sem detalhes.

Segundo a Sabesp, os cortes em áreas consideradas menos prioritárias no cenário de crise visam a “garantir a prestação de serviço de água em São Paulo” com as obras emergenciais em construção, que devem custar, apenas neste ano, cerca de R$ 300 milhões. A principal delas é a ligação dos Sistemas Rio Grande, braço limpo da Represa Billings, e Alto Tietê, para conseguir tratar e transferir mais 4 mil litros por segundo de água para regiões ainda atendidas pelo Sistema Cantareira. 

Orçada em R$ 130 milhões, a obra na Billings teve início neste mês, após três meses de atraso, e é considerada a principal medida para evitar o rodízio no abastecimento, que seria de 5 dias sem água e 2 com, restrito à região do Cantareira, conforme plano de contingência elaborado pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo Kelman, contudo, o rodízio está descartado neste ano.

Autarquias. Por causa da crise, a empresa de saneamento da cidade de Guarulhos, que adotou racionamento há mais de um ano, após sofrer redução no volume de água do Cantareira vendido pela Sabesp, também reduziu os investimentos previstos para este ano. Já as autarquias de Campinas, Mauá e Santo André, grandes cidades que também sofrem com a estiagem, informaram que mantiveram o cronograma de investimentos. 

Tudo o que sabemos sobre:
sabespcrise da águacantareira

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.