Com pior tempestade do ano, SP registra trânsito recorde

Temporal deixou 60 pontos de alagamento e congestionamento atingiu 201 quilômetros no horário de pico

Daniel Gonzales e Marici Capitelli, Jornal da Tarde

17 Março 2009 | 21h24

A três dias do término do verão, a capital e o ABC paulista enfrentaram a pior tempestade deste ano, que começou às 15h30 e encheu ruas, avenidas e estradas. O temporal deixou 60 pontos de alagamento em São Paulo, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), e causou o recorde de trânsito do ano, com 201 km de vias travadas às 19 horas, na medição da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A Via Anchieta, na divisa de São Paulo com São Bernardo do Campo, foi interditada às pressas às 16 horas, na altura do km 13, nos dois sentidos, por causa do transbordamento do Ribeirão dos Couros, o que causou uma fila com mais de 8 km de veículos parados. Nem caminhões conseguiam passar.

 

Pátio da Ford, em São Bernardo do Campo, foi tomado pelas águas. Foto: José Patrício/AE

 

Veja também:

linkQuedas de árvores deixa vários bairros de SP sem luz

linkChuva faz córrego transbordar e interdita Túnel Anhangabaú

mais imagens Galeria de fotos dos estragos da chuva

especial São Paulo à mercê das águas

especialConfira as condições do trânsito no blog

 

Nesse horário, centenas de veículos estavam submersos na região do Ipiranga e na Avenida do Estado (zona sul), na divisa com o ABC. Passageiros de pelo menos cinco ônibus intermunicipais ilhados tiveram de subir no teto dos veículos e, às 20 horas, ainda não havia previsão de quando os trens da Linha 10-Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (Luz-Rio Grande da Serra), parados desde as 15h50, voltariam a circular.

 

Às 18 horas, o helicóptero Águia 8, da Polícia Militar, precisou pousar no viaduto Grande São Paulo, zona leste, no limite do Ipiranga com a Vila Prudente. Segundo o Corpo de Bombeiros, um motorista ficou preso na enchente e teve um enfarte dentro do carro. Identificado apenas como Jair, o homem foi socorrido ao Hospital das Clínicas, onde passou por exames. Seu estado clínico era estável.

 

Para completar o caos, todo o sistema de trólebus da zona leste parou e os veículos dos corredores metropolitanos da EMTU também enfrentaram falta de energia elétrica e alagamentos para circular. Estações e paradas de ônibus ficaram lotadas e cerca de 80 motoristas, de acordo com a SPTrans, foram forçados a invadir as vias elevadas do Expresso Tiradentes (antigo Fura-Fila), para escapar de perder o carro nas águas.

 

O Córrego Aricanduva, na zona leste, voltou a transbordar, o que não ocorria nos últimos três anos. No centro foram registrados 13 pontos de alagamento e o Túnel do Anhangabaú teve de ser fechado pela terceira vez no ano. Formou-se uma lâmina d’água com mais de 1 metro no local, por causa do acúmulo de lixo. Pelo menos 25 semáforos em várias regiões pifaram, segundo a CET, principalmente na região da Avenida Rebouças, na zona oeste. O Corpo de Bombeiros registrou nove quedas de árvores. No Campo de Marte, os ventos superaram os 60 km/h

 

Os prejuízos foram grandes no ABC. Em São Bernardo, os pátios das montadoras Ford e Mercedes Benz, próximos da Avenida Taboão, encheram de água. No da Ford, havia cerca de 300 veículos Ka zero-quilômetro, recém-saídos da linha de produção, que ficaram com água até a metade das portas. No outro, havia dezenas de chassis de caminhões. As montadoras não informaram os prejuízos porque nem seus funcionários tiveram como chegar aos pátios.

 

Às 20h05, o CGE pôs fim a todos os estados de atenção e alerta que haviam sido decretados. Segundo e CET - Companhia de Engenharia de Tráfego -, as águas provocaram 34 pontos intransitáveis de alagamento. A tendência é de que as chuvas deixem a cidade e a região metropolitana de São Paulo nas próximas horas, restando apenas chuvas fracas e chuviscos no decorrer da noite e da madrugada.

 

'DILÚVIO'

 

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a quantidade de chuva que caiu até as 17 horas foi de 50 milímetros, aproximadamente um terço do previsto para todo o mês de março - 178 mm. O recorde até hoje foi de 106 mm num período de um dia, em 1994. Cada milímetro significa um litro de água por metro quadrado.

 

Os maiores índices pluviométricos registrados pelo CGE foram: Sé - 86,5mm; Ipiranga - 74mm; Vila Prudente - 67mm; Vila Maria/Vila Guilherme - 61mm. O problema, segundo os especialistas, é a concentração da chuva. "No Ribeirão dos Meninos choveu 73,8 mm. É um dilúvio", disse o engenheiro Hassan Barakat, do CGE.

 

(Colaborou Fabio M. Michel, do estadao.com.br)

Mais conteúdo sobre:
SPchuvatrânsito

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.