''Com ou sem a PUC, vamos comprar''

É o que diz diretor do grupo WWI sobre negociação do Hospital Umberto Primo

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2010 | 00h00

Com ou sem a PUC, os prédios do antigo complexo do Hospital Umberto Primo, na Bela Vista, serão revitalizados até 2014 e darão lugar a um centro educacional, um centro médico e um conjunto de lojas. Não haverá torres de luxo nem shopping, apenas um restauro que vai transformar a área tombada em um bulevar aberto para os paulistanos. Essas são, pelo menos, as promessas do grupo que fechou a polêmica compra do antigo hospital.

Os sócios do WWI Group, holding de investimento que até agora não havia se pronunciado, se dizem tranquilos em relação ao projeto. Em entrevista ao Estado, o presidente do grupo Marco Versiani fez questão citar o currículo de todos os membros da WWI, frisar que o capital da holding é 100% nacional e afirmar que a revitalização do Umberto Primo sairá do papel mesmo que a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) desista de ser locatária de um dos prédios do complexo.

Versiani confirma que a fundação não sabia ainda da negociação. "Só o reitor (da PUC, Dirceu de Mello) e seus assessores sabiam do negócio. O reitor tem sua autonomia para buscar as melhores condições para a PUC. E isso nós nos certificamos. Mas mesmo sem a PUC, o local terá sua vocação educacional. O negócio não muda em nada, pois temos nossos grupos de investidores, e também não muda nada para a Previ. Nosso negócio é simples, é aluguel", diz.

"Em termos de cronograma, nada vai ser prejudicado", diz ele, que não revela o valor do negócio, mas que afirma ser menos do que os R$ 270 milhões divulgados na imprensa. "Vamos entrar com pedido no órgão de patrimônio no segundo semestre. A Previ já aceitou a nossa proposta financeira, e agora partimos para o contrato de compra e venda. É irrevogável. O negócio é rentável do ponto de vista de aluguéis, com ou sem a PUC."

O projeto, segundo o WWI, foi desenhado pela empresa internacional de design Yoo, fundada pelo decorador parisiense Philippe Starck. Uma vez terminada a reforma, que ainda precisaria ser aprovada pelos órgão municipal e estadual do patrimônio, a ideia é locar parte do antigo hospital para a PUC, enquanto outro trecho do complexo seria ocupado por um "medical center". Um prédio também seria usado para escritórios, consultórios médicos e lojas. "Vamos preservar o aspecto histórico do ambiente, nem na volumetria vamos mexer, e isso é uma coisa que São Paulo não tem", diz o presidente da holding. "Quais escritórios, quais médicos não gostariam de alugar lá?", afirma.

O WWI afirma que procurou a Previ para a aquisição do terreno há dois anos - antes mesmo da fundação do grupo, criado em outubro de 2009; segundo Versiani, uma outra empresa que hoje faz parte da holding começou a negociação. A Previ teria então sugerido ao WWI que procurasse a PUC, uma vez que a universidade já havia expressado o interesse de ocupar o imóvel.

O atual imbróglio começou na semana passada, após a divulgação da venda do complexo para um grupo de investimentos e a PUC. Dias após, com a repercussão, o reitor disse que a instituição estaria em entendimentos para apenas ocupá-lo como inquilina ou em forma de comodato. A Arquidiocese de São Paulo, no entanto, informou que a Fundação São Paulo, mantenedora da PUC, não tem interesse em comprar o imóvel e que o reitor não tem autonomia para fazer nenhum negócio nem mesmo assinar um contrato de locação.

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