''Com o meu tamanho, só posso ser um conciliador''

Candidato governista, que venceu Milton Leite, do ''centrão'', com 30 dos 55 votos, afirma que o debate é importante

Bruno Tavares e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2010 | 00h00

Quem conheceu o adolescente José Police Neto (PSDB) no início dos anos 1980 sabia que sua trajetória na política seria promissora. Com a bandeira do então candidato a deputado federal Mário Covas em punho, aos 14 anos Netinho já era cabo eleitoral do ex-governador. Em 1999, assumiu o comando do diretório municipal do PSDB. Tinha 27 anos. Em 2002, coordenou a campanha vitoriosa de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo do Estado e se elegeu vereador pela primeira vez em 2004. Há dois anos, foi reeleito como o quinto parlamentar mais votado da capital e ontem conquistou a presidência da Câmara Municipal com 30 dos 55 votos, vencendo Milton Leite (DEM), candidato do bloco que mantinha o poder da Casa desde 2005, o "centrão".

Tal currículo não o livrou das críticas de adversários, que consideram seu maior apoiador - o prefeito Gilberto Kassab (DEM) - o verdadeiro vitorioso na eleição. Ontem, adotou discurso conciliador e evitou fazer a festa de comemoração pedida pelos aliados. "Meu próprio tamanho (1,58 metro) indica que só posso ser um conciliador."

Como rebate a crítica de que o prefeito garantiu sua vitória oferecendo cargos e verbas?

Vocês acompanharam o esforço que cada um dos líderes fez para construir maioria. Qualquer sugestão de algo diferente do que foi a persuasão, o convencimento pelas ideias, é a manifestação daqueles que não conseguiram encontrar refúgio no que fizemos - um debate à exaustão para encontrar a maioria necessária. Não acredito que nenhum movimento tenha sido feito nem para prejudicar nem para beneficiar ninguém.

É choro de perdedor?

Não vou falar isso. É manifestação que a gente respeita, não acolhe e não reconhece.

O senhor vai fazer uma gestão alinhada ao Executivo?

Não. Nosso concorrente é relator do orçamento do Executivo. Todos nós respeitamos o Milton Leite. Ele esteve nos mesmos diálogos que eu estive com o prefeito. Não dá para impor a mim uma vantagem que não foi colocada a ele. O mesmo respeito que o prefeito manifestou para a nossa candidatura manifestou com relação a ele. A única coisa é que ele tinha é uma preferência. Aliás, todo homem público tem de expor suas preferências.

Como vai pacificar a Casa depois de uma eleição conturbada?

O meu tamanho já indica que só posso ser um pacificador. O que é fundamental é o debate. Ficaríamos tristes se saíssemos de um processo unânime e vocês nos perguntando o que aconteceu. O debate vai fortalecer o Parlamento e a cidade.

Como será a Mesa? Projetos do Executivo terão prioridade?

O prefeito apoiou o atual presidente da Casa por quatro anos. A pauta não deve servir de interesse a ninguém: nem à vontade de uma ou outra liderança nem à do Executivo.

Como fica o "centrão" agora?

Ninguém sai enfraquecido. O que sai fortalecido daqui é a democracia. Ninguém tem dúvida de que teremos alguns dificuldades nos debates do projetos, mas isso é bom.

Quais as prioridades de 2011?

Falamos de problemas, então vamos dar soluções. Está claro a todos os parlamentares que precisamos mergulhar no problema de licenciamento econômico da cidade, para buscar a melhor alternativa para o fortalecimento de São Paulo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.