Valéria Gonçalvez/Estadão
Valéria Gonçalvez/Estadão

Com modelo drive-in, passeio no Zoo Safári vê alta no número de visitantes

Atração alia contato com a natureza e a segurança de permanecer dentro do carro, evitando contato com outras pessoas. Mais de cem animais podem ser observados

Paula Felix e Valéria Gonçalvez, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2020 | 05h00

Disponível para filmes e shows durante a pandemia do novo coronavírus, o modelo drive-in está fazendo sucesso em um passeio que já usava o formato e, agora, está atraindo famílias que querem oferecer uma opção sem aglomeração de diversão para as crianças. Apenas no primeiro mês após sua reabertura, em julho, o Zoo Safári registrou aumento de 35% no número de visitantes em relação ao mesmo período do ano passado.

O crescimento no movimento se dá mesmo com as novas regras adotadas após a reabertura do espaço para evitar a disseminação do vírus. O local foi fechado em 21 de março e reabriu em 13 de julho. No novo formato, as vans não estão sendo mais utilizadas e também não é possível alimentar os animais. O atendimento foi reduzido em 50%, de modo que 500 veículos particulares podem acessar o espaço por dia. O uso de máscaras é obrigatório e os visitantes têm a temperatura verificada na entrada. Os carros acessam o local após desinfecção das rodas com uma solução de hipoclorito de sódio na portaria.

O advogado Gabriel Marques, de 31 anos, resolveu visitar o local com a sobrinha Beatriz Marques, de 3 anos, na semana passada para oferecer uma atividade diferente para a criança, que está em isolamento social.

"Para ela, foi fantástico. Ela estava impressionada com os animais e por poder chegar perto deles. Foi uma forma de sair de casa e fazer um programa com segurança, porque a gente fica dentro do carro e não tem interação com ninguém de fora, mas tem contato com a natureza. Por isso que escolhi ir lá em vez de ir ao Zoológico ou a qualquer outro parque."

O passeio também foi agradável para Marques. "Para quebrar a rotina e as obrigações do dia, foi ótimo. Ajudou a tirar a carga do segunda a sexta, fazer algo diferente em uma região preservada. Deu para recarregar as energias."

Os números da Fundação Parque Zoológico de São Paulo mostram que a procura pelo Zoológico caiu quase 68% no mesmo período - o local também está funcionando com 50% de sua capacidade. Foram 137.711 pessoas entre 13 de julho e 12 de agosto do ano passado e 44.544 pessoas no mesmo período deste ano. No Zoo Safári, passou de 13.219 para 17.893 visitantes.

Diretora administrativa da Fundação Parque Zoológico de São Paulo, Fátima Viveiros Valente diz que o mês de agosto não costuma ter movimento, mas a possibilidade de fazer o passeio dentro do carro tem atraído visitantes. "As pessoas estão em casa e estão conseguindo organizar a rotina. Se as crianças tiverem aula de manhã, podem vir à tarde. Acho que tende a ser um modelo mais adotado, tem a moda para assistir filme, resgatar coisas que aconteciam no passado. Há crianças não passaram por isso e alinhar a natureza com essa novidade pode funcionar. É uma forma de desconectar da tecnologia também."

 

Contato com a natureza

Um post na rede social de um casal de amigos incentivou a enfermeira Angelina Romano, de 35 anos, a ir ao Zoo Safári com o marido, o médico Lucas Romano, de 34 anos, e a filha Alice, de 2 anos. De férias, ela aprovou o passeio.

"A gente decidiu que não ia viajar e foi muito legal. A Alice curtiu muito, porque ela adora animais. A gente fica dentro do carro e acaba sendo até melhor para uma criança da idade dela, que pode ficar cansada em um passeio caminhando. Foi uma opção muito agradável para fazer nas férias."

Inaugurado em junho de 2001, o Zoo Safári ocupa uma área de 80 mil m² e permite que os visitantes observem cervos, camelos, leões, girafa, diferentes espécies de macaco e aves. São mais de 160 animais. O passeio dura cerca de uma hora, mas os visitantes podem ficar no local por mais tempo.

Pandemia traz prejuízo à fundação e governo tenta conceder serviço à iniciativa privada

Responsável pelo Zoo Safári e pelo Zoológico, a Fundação Parque Zoológico de São Paulo tem 62 anos e também realiza trabalhos de manutenção e reprodução de espécies ameaçadas de extinção, pesquisas científicas e atividades de educação ambiental.

“É um trabalho feito com muitas frentes, trabalho de pesquisa aplicada, de recuperação de animais silvestres, de conservação em natureza e em cativeiro. Já recebemos mais de 93 milhões de visitantes”, explica Fátima Viveiros Valente.

A entidade enfrentou crises nos últimos anos, uma delas em 2018, quando o Zoológico e o Zoo Safári tiveram de ficar fechados por quase dois meses por causa da morte de um macaco bugio por febre amarela. Segundo a chefe da Divisão de Controladoria da fundação, Fernanda Pereira da Silva, mesmo diante de dificuldades, a instituição consegue se manter. A pandemia também trouxe prejuízos, estimados em cerca de R$ 6 milhões.

“Nos últimos anos, a gente sempre tinha uma sobra em relação aos nossos gastos. Tivemos o problema da febre amarela e, mesmo com a perda de receita, a gente não teve a necessidade de solicitar recursos. Agora, (o prejuízo) foi, em média de 6 milhões, mas a gente conseguiu assumir esse prejuízo com as economias, que foi em torno de R$ 2 milhões até junho, porque tinha também a arrecadação dos anos anteriores."

Mas a entidade pode ser extinta se um projeto de lei apresentado pelo governador João Doria (PSDB) for aprovado. Segundo a proposta, do mês passado, "a operação das atividades voltadas à visitação pública, educação ambiental e conservação do patrimônio público e dos ativos ambientais realizada em suas instalações serão transferidas à iniciativa privada, por meio de procedimento licitatório adequado".

O PL foi entregue à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) com solicitação para ser analisado em caráter de urgência. Neste momento, está sendo avaliado por diferentes comissões. No ano passado, a Alesp já tinha aprovado um projeto de lei para conceder o Zoológico e o Zoo Safári para a iniciativa privada por 35 anos. Na ocasião, o governo informou que os recursos da concessão retornariam para fundação.

Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, o projeto foi submetido a audiências públicas e com a comunidade científica e "o edital deve ser publicado nas próximas semanas, após análise do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização".

Indagada, a pasta não explicou por que será lançado um edital que prevê a concessão com repasse para a instituição e, agora, há um projeto de lei que prevê a extinção da fundação. Mas informou que o governo do Estado elaborou medidas para "evitar um déficit estimado em R$ 10,4 bilhões para 2021 e garantir o pagamento de fornecedores e salários, além de aumentar a capacidade de investimento".

A Secretaria informou que a arrecadação da Fundação Zoológico não supre todas as despesas previstas com pessoal e custeio. "Recursos do Tesouro do Estado contribuem para atender as despesas de encargos e benefícios de pessoal. Em 2019, a arrecadação foi de R$33,4 milhões e as despesas (gasto com pessoal R$17,7 mi e custeio R$21,8 mi) corresponderam a R$39,5 milhões", disse, em nota.

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