Com metralhadora, motoqueiros ferem 11 em festa; filho morre ao lado do pai

Três dos quatro mortos no Jardim Rochdale, em Osasco, tinham passagem pela polícia; familiares das vítimas acusam policiais

Bruno Ribeiro, Camila Brunelli e Cecília Leite - O Estado de S.Paulo,

26 de novembro de 2012 | 02h05

Pelo menos 14 pessoas foram mortas a tiros e outras 21 foram baleadas em um intervalo de apenas nove horas, entre 19h de anteontem e 4h de ontem, na região metropolitana de São Paulo. Foi o primeiro fim de semana depois que o promotor público Fernando Grella Vieira assumiu a chefia da Secretaria de Estado da Segurança Pública, após a escalada da violência derrubar o também promotor Antonio Ferreira Pinto.

Entre os casos, há três ocorrências relatadas como resistência à prisão e cinco casos de ataques de homens encapuzados - dois resultaram em chacinas, com mais de três mortes. O caso mais sangrento foi uma chacina durante uma festa de aniversário no Jardim Rochdale, em Osasco.

Ao todo 11 pessoas, de uma comemoração com cerca de 40 convidados, foram baleadas por quatro homens - que chegaram em uma moto e um carro e usaram metralhadoras e uma espingarda 12. Quatro pessoas morreram, incluindo pai e filho, de 31 e 5 anos, respectivamente. Eram irmão e sobrinho do dono da festa.

Segundo testemunhas, que pediram para não ter o nome publicado por medo, os convidados estavam comendo bolos e salgadinhos quando homens com toucas ninjas e coturnos chegaram e pararam na frente do salão, entre as Ruas Manaus e Fortaleza. Sem falar nada, deram dois tiros com espingarda calibre 12. A atendente de pizzaria Luciana Costa e Silva, de 25 anos, recebeu um dos disparos na cabeça e morreu na hora.

Em seguida, caminharam até a porta do salão e atiraram contra os convidados com submetralhadoras 9 milímetros, atingindo mais 10 pessoas. "O salão era grande, e tinha muita gente no fundo. Senão, teria morrido muito mais gente", disse uma testemunha.

Após o corre-corre dos convidados, vizinhos do salão e os sobreviventes tentaram socorrer os feridos. Ele foram levados até o Pronto Socorro do Rochdale e ao Hospital Municipal Central de Osasco.

Revolta. Ontem, durante o velório de Luciana, familiares evitaram falar com a imprensa e, sem dar detalhes, acusaram policiais como autores da chacina. "Bandido, quando vai acertar contas, mata quem deve. Não entra em aniversário para matar todo mundo, mulher e criança", disse um dos presentes. Eles destacaram o fato de os assassinos estarem calçando coturnos.

Luciana tinha um filho recém-nascido e outro de 5 anos. Ela já respondeu processo por receptação e estava sem trabalhar, cuidando dos filhos. A criança morta, Daniel do Nascimento, estava com o pai, o ajudante Eliezer Francisco Nascimento, que já teve registro na polícia por roubo. O outro morto foi o também ajudante Carlos Hebert Nunes dos Santos, de 28 anos, com registro na polícia por porte ilegal de armas.

Os feridos têm idades que variam entre 12 e 29 anos. Um deles é filho dos proprietários do salão onde ocorria a festa e outro, o aniversariante. Dois dos baleados também têm passagem pela polícia. Até o começo da noite de ontem, dois dos feridos ainda corriam risco de morrer.

Na semana passada, o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro de Lima, que deixa o cargo hoje (mais informações na página C5), afirmou que pelo menos uma das vítimas recentes de ataques teve a ficha criminal checada por PMs antes de ser assassinada. Segundo informou a Polícia Civil, o caso deverá ser investigado pelo setor de homicídios da Delegacia Seccional de Osasco.

Preliminarmente, ontem, a polícia informou não ter nenhuma informação sobre os autores da chacina. A rua onde ocorreu o caso não tem nenhuma câmera de segurança.

Tudo o que sabemos sobre:
violênciamortesSP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.