Com mesma presidência, Masp passou por duas crises em 3 anos

Por 14 anos consecutivos, Júlio Neves ficou à frente do museu, que já teve corte de luz e roubo de obras

da Redação, estadao.com.br

03 de novembro de 2008 | 21h04

Fundado em 2 de outubro de 1947 por Assis Chateubriand, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) enfrentou crises nos últimos anos. O corte de luz da Eletropaulo por falta de pagamento da conta, em maio de 2006; e o roubo de dois quadros em dezembro de 2007, quando foram levados O lavrador de Café, de Cândido Portinari, e O Retrato de Suzanne Bloch, de Pablo Picasso, são apenas dois sinais de que o museu está em crise.  Veja também:Novo presidente do Masp é eleitoVídeo com imagens do roubo  Galeria de fotos do roubo da Masp  Como foi o roubo no Masp   Todas as notícias publicadas sobre Masp   O arquiteto Júlio Neves, presidente do museu, foi reeleito para a sétima gestão consecutiva em novembro de 2006. O arquiteto assumiu a presidência do museu em 1994, quando venceu José Mindlin por apenas um voto. Pelo estatuto, o Masp é uma "associação de direito privado sem fins lucrativos". Mas nos meandros dessa definição está o núcleo de poder do museu, que pouca gente conhece inteiramente além do arquiteto Julio Neves. Figura polêmica, Neves é criticado pelos governos municipal e estadual, mas elogiado por sócios do museu.Neves comanda a diretoria, que responde ao Conselho Deliberativo. Mas a principal instituição do Masp são os sócios vitalícios. Para ser sócio - 65 pessoas têm esse status hoje - não basta querer. A diretoria indica os nomes, aprovados em assembléia geral. Os sócios são, na esmagadora maioria, pessoas muito conhecidas, como Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, da Rede Globo; empresários como Emilio Odebrecht; banqueiros como Olavo Setúbal e Pedro Moreira Salles; e empresas como Bradesco, Belgo Mineira, TIM e Pirelli.Segundo o estatuto, só podem virar sócios "pessoas físicas ou jurídicas que, pelo tempo de dedicação ao Masp, assim como por serviços prestados ou doações efetuadas, tenham alcançado essa condição especial". Mas muitas vezes predominam outros critérios. Entre os sócios recentes estão dois filhos do presidente: Roberto Franco Neves e Paulo Franco Neves. Procurado, Julio Neves não deu entrevista. Roubo das telas Na época do roubo das telas, o industrial Fuad Mattar – que havia se tornado sócio cerca de um ano antes – afirmou que o furto das telas trouxe uma "lição gratuita, mostrou que o patrimônio ali é fantástico". Ele elogiou a atual gestão. "O Julio é aplicado, cuida do museu com competência.Mas muitos associados acreditavam em uma mudança no comando do museu nas eleições deste ano. O ex-ministro da Saúde Adib Jatene, sócio e conselheiro, avalia como "muito boa" a gestão atual. Questionado se votaria no arquiteto em outubro, afirmou que o próprio Neves vinha dizendo que não queria continuar no cargo. "Entendo que o ciclo de controle do museu pelo Julio Neves está chegando ao fim natural, isso ele mesmo já disse", afirmou o embaixador Marcos Azambuja, no Masp desde 2006. "Acho que, diante das dificuldades financeiras que a instituição enfrentou, até que ele se saiu bem." A crise do Masp já teve contornos dramáticos, como o corte de energia, por falta de pagamento. Segundo o assessor de Imprensa do Masp, Paulo Alves, "a receita do museu vem da bilheteria e da captação de recursos, além dos quase R$ 100 mil mensais da Prefeitura, suficientes para pagar a energia". A Prefeitura informou que repassou R$ 125 mil mensais em 2007.

Tudo o que sabemos sobre:
Maspcriseroubo às telasarte

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.