Com melhores salários, exterior atrai brasileiros

O Brasil já viveu problema inverso: com a falência de Transbrasil, Vasp e Varig seguidamente, sobrava piloto no mercado nacional. Alguns foram absorvidos por TAM e Gol. Outros foram trabalhar no exterior.

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2010 | 00h00

Formado pela Força Aérea, o comandante Marco Rocha, de 56 anos, trocou a vida militar pela Vasp, na década de 1990. Depois, foi diretor de segurança da TAM, até ir para Cingapura. Hoje, está na Turkish Airlines. "A gente não vai trabalhar fora por aventura, é por necessidade." Enquanto um piloto aqui ganha de R$ 10 mil a R$ 15 mil, o salário médio internacional é de US$ 25 mil.

As empresas estrangeiras, principalmente de países pequenos, passaram também a fazer "road shows" no País - a Emirates, dos Emirados Árabes, seleciona a cada três meses em cidades do Sul e Sudeste.

Egresso da escola da Varig, o copiloto Diego Valentim voou na empresa até 2006. Em busca de melhores escalas e salário, acumulou 6 mil horas de voo e seguiu para a China, depois para os Emirados Árabes Unidos. Para ele, a mão de obra brasileira é bem vista lá fora porque aqui se aprende "no olho". "A tecnologia não está 100% presente em muitos aeroportos do Brasil. O piloto brasileiro tem muito mais habilidade técnica, não se baseia só no automático", diz.

O contrário não ocorre: o Código Brasileiro de Aeronáutica não permite a contratação de pilotos estrangeiros no Brasil - mas isso pode mudar. Em tramitação na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 6.716/09, do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), quer ampliar a participação de capital externo nas empresas aéreas de 20% para 49%.

Hoje, há cerca de 300 escolas de aviação no País, nem todas aptas a formar todas as categorias - o forte são comissários de bordo, técnicos e mecânicos. Para reduzir o problema, a Anac ampliou neste ano um projeto de 2008 para custear até 75% da formação de pilotos, com investimento de R$ 3 milhões.

Só a partir de março de 2009 a Anac passou a exigir comprovante de fluência em inglês dos pilotos que voam para o exterior. Em 2010, quase metade dos 12 mil profissionais com licença válida conseguiu atingir o nível exigido no Santos Dumont English Assessment, que testa a fluência entre pilotos e controladores.

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