José Maria Tomazela/Estadão
José Maria Tomazela/Estadão

Com medo, vizinhos da Protege põem casas à venda no interior de SP

Em Sorocaba, pelo menos cinco imóveis estão disponíveis para compra ou aluguel no entorno da empresa, na zona norte da cidade

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2016 | 03h00

SOROCABA - Com medo de ataques violentos, como o que aconteceu na madrugada desta quarta-feira, 17, contra a Protege, em Santo André - o quarto, este ano, contra empresas de transporte de valores instaladas em áreas urbanas -, os vizinhos estão pondo seus imóveis à venda. Em Sorocaba, pelo menos cinco imóveis estão para vender ou alugar no entorno da sede da Protege, na Vila Barão, zona norte, um dos bairros mais populosos da cidade. "A casa vizinha, que também é nossa, já foi desocupada. Agora estamos tentando vender esta, pois não dá mais para ficar aqui", disse a autônoma Gislene Creria Rosumek Arriva, de 58 anos.

Ela mora do outro lado da rua, quase em frente à Protege, e conta que os últimos meses têm sido tensos. "À noite, os alarmes deles disparam e a gente se assusta. Tenho criança na casa, a gente trabalha, precisa descansar à noite, mas não consegue." A placa com os dizeres "alugo ou vendo" já foi fixada no muro. "Deixamos claro aos interessados que é para fins comerciais, pois não recomendamos que morem aqui." 

Depois que o último inquilino entregou a casa, em frente à Protege, Pedro Soares, de 48 anos, também quer transformar o imóvel em ponto comercial. "Morei muitos anos aqui e a Protege era uma segurança, pois tem um forte sistema de vigilância, mas agora, com esses assaltos..." Soares está em negociação com um pet shop.

O comerciante Claudio Henrique Moura de Luciano, de 32 anos, dono de uma loja de materiais para construção bem ao lado da empresa, conta que escolheu o ponto pensando na segurança. "Eles têm vigilância 24 horas, mas, vendo as reportagens dos assaltos, estou muito preocupado. Minha parede divide com a deles. Agora, a única proteção é Deus."

A professora aposentada Maria Auxiliadora Alves Dias Rodrigues, que também tem casa ao lado da Protege, conta que já pediu à empresa para elevar o muro entre os dois imóveis. "Eles (Protege) estão querendo comprar minha casa. No fim, talvez a gente venda." 

Em Campinas, a cada notícia de assalto envolvendo empresas de valores, os moradores do bairro São Bernardo voltam a sentir medo. Os vizinhos da Protege, instalada no centro do bairro, ainda não se recuperaram da noite de pavor, em 14 de março, quando cerca de trinta criminosos ocuparam o bairro, dispararam tiros para todos os lados, queimaram veículos e explodiram a empresa, roubando cerca de R$ 50 milhões. "Com esse novo caso (em Santo André), estamos retomando a mobilização, não dá para ficar sossegado enquanto eles estiverem aqui", disse o aposentado Élcio Oliveira, que teve a casa atingida por disparos.

Morando no bairro há 30 anos, a aposentada Luzia Amador, de 70 anos, procura um apartamento para se mudar. "Aqui já foi bom, mas tem esse problema aí." Segundo ela, um morador vizinho já se mudou. "Era um bairro tranquilo, com muito aposentado. Depois daquele assalto, quem pode está indo embora."

A assessoria da Protege informou que a empresa está dando prioridade aos desdobramentos do ataque à unidade de Santo André e posteriormente se pronunciará sobre as queixas dos moradores de Sorocaba e Campinas. Anteriormente, a empresa havia informado que é vítima da violência dos criminosos e se solidariza com os moradores que reivindicam aos órgãos competentes melhoria da segurança.

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