Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Com medo de redução da frota, motoristas ameaçam parar de novo

Nesta terça, 29 terminais da capital paulista ficaram fechados por 2 horas, causando transtornos aos usuários do transporte público

Bruno Ribeiro, Felipe Resk e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

13 de maio de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Motoristas e cobradores de ônibus fecharam nesta terça-feira, 12, os 29 terminais da capital paulista por duas horas e causaram transtornos aos usuários do transporte público. Eles pedem reajuste salarial e ainda prometem fazer novas paralisações, caso a nova licitação para o transporte municipal, que deve ser lançada ainda neste mês, reduza o número de veículos em circulação na capital – o que deve acontecer, de acordo com empresários do setor.

A paralisação durou das 10 horas ao meio-dia e, segundo a SPTrans, empresa da Prefeitura que administra as linhas, prejudicou 675 mil pessoas. O sindicato exige 15,5% de reajuste salarial e aumento do valor de outros benefícios. A proposta das empresas é de aumento de 7,21%. A próxima assembleia dos motoristas será na quinta-feira, 14. Os patrões consideraram a paralisação ilegal. 

Desprevenidos, alguns usuários escolheram aguardar o fim do protesto, enquanto outros tentavam encontrar novas alternativas para se locomover. No caso do Terminal Pinheiros, a orientação da SPTrans foi que usassem a Estação Pinheiros, da Linha 4-Amarela do Metrô, ou a Linha 9-Esmeralda da CPTM. Ônibus foram usados para bloquear os acessos aos terminais.

Ainda no centro, cerca de 60 micro-ônibus que fazem linhas intermunicipais bloquearam a frente da Secretaria dos Transportes Metropolitanos, na Rua Boa Vista. Eles protestavam contra decisão judicial que os proíbe de circular por Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha e Mairiporã.


Protesto. O presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores do Transporte Rodoviário Urbano da capital, Valdevan Noventa, afirmou que a paralisação dos ônibus foi ação de “repúdio à proposta apresentada pelos patrões” e a adesão foi de 100% dos cerca de 40 mil motoristas e cobradores da cidade. Ele disse ainda que “os trabalhadores estão conscientizados” e, se a proposta não melhorar, “não há dúvida” de que farão novas manifestações na capital.

A ameaça de greve feita por Noventa se estendeu à Prefeitura, diante da possibilidade de demissões, por causa da nova licitação do transporte. “Vamos acompanhar de perto. Não aceitamos a diminuição da frota porque causa demissões. O número que se está falando é entre 2 mil a 3 mil ônibus a menos. É prejudicial aos trabalhadores e à população, que vive reclamando de lotação e demora”, disse.

A nova licitação vem sendo discutida desde 2013. Ela foi adiada com os protestos de junho daquele ano, pela redução das tarifas, que resultaram em um processo de auditoria de parte do sistema – a venda de créditos do bilhete único ficou de fora. A Prefeitura pretende conceder a operação das linhas por um período de 20 anos.

Empresas. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (SPUrbanuss), Francisco Christovam, confirma a expectativa de redução da frota. “O que há hoje é uma tremenda sobreposição de linhas. Não há porque manter essa ineficiência”, disse, afirmando esperar que o novo modelo seja mais “racional”. “Mas menos ônibus não significa prejuízo para o usuário”, ressaltou, ao afirmar que a redução do número de ônibus não deve atingir empregos. “Hoje, temos dificuldade de preencher vagas.”

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