FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Com mais delitos por PMs, periferia leste recebe menos verba

Comerciante se queixa de roubos; secretaria afirma que comando da região ‘está recebendo atenção especial’

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

26 Junho 2016 | 03h00

O orçamento para custeio das unidades da Polícia Militar não apresenta relação proporcional com os crimes violentos registrados na área de cada Comando de Área Operacional (CPA) da cidade de São Paulo. Cruzamento de dados da Polícia Militar e da Secretaria Estadual da Fazenda sobre a execução orçamentária do governo Geraldo Alckmin (PSDB) no ano de 2015 mostra que, em relação aos crimes violentos, a zona leste e o centro da capital tiveram menos orçamento do que as demais regiões.

A Secretaria da Segurança Pública afirma que “a gestão de recursos orçamentários é feita com base nas necessidades apontadas no exercício anterior”. O CPA que, proporcionalmente, registra mais crimes por PM é o de número 9, que atende bairros como Parque São Rafael, São Mateus e Cidade Tirantes, na zona leste. Ao dividir os gastos de custeio da unidade pelo número de crimes ocorridos, o Estado gastou ali R$ 168 para cada delito registrado. A região é a mesma em que a reportagem encontrou unidades mais precárias do ponto de vista da estrutura física dos quartéis.

Nessa região, somados todos os batalhões sob responsabilidade do comando, há relação de 1 policial para cada 11,3 crimes. Na outra ponta, o CPA de número 11, que atende a parte da zona leste mais perto do centro, como os bairros de Tatuapé e Mooca, que têm IDH “muito elevado”, tiveram despesa de custeio de R$ 348,84 em 2015 – nessa área, a relação de policiais por crimes violento é de 1 policial para cada 6,91 casos. 

A Secretaria da Segurança informou que o CPA-M/9 “é o Comando Regional com o menor número de batalhões subordinados”, mas que “a região está recebendo atenção especial do Comando da Polícia Militar, com o apoio de unidades especializadas no policiamento e com o estudo de medidas para melhorar a dotação de recursos materiais”. 

Vítimas. Na outra ponta da segurança pública, cidadãos relatam rotinas de assaltos nos bairros com menos policiais. “Já fui assaltado aqui quatro vezes. Em uma, eram 10 pessoas, todas armadas. No último, há algumas semanas, um homem entrou armado na lotérica, tentou render as meninas, mas saiu sem conseguir levar o dinheiro”, diz o comerciante Francisco Velucci, de 51 anos, dono de casa lotérica em São Miguel Paulista, na zona leste. Membro da Associação Comercial, ele diz que mantém contato com os comandantes da Polícia Militar, e que houve relatos de que a redução do efetivo no bairro – que ele diz notar – seria resultado da redução das ações da Operação Delegada, o bico oficial, no bairro. O batalhão de sua região tem 11,17 crimes por policial, segundo levantamento do Estado

No centro, o distrito de República tem 13,29 crimes para cada policial. Vítima de roubo, a comerciária Gabriela Mazie Berezin, de 21 anos, teoriza que o número elevado de ocorrências está relacionado à falta de policiais e um direcionamento errado das ações dos PMs.

“A preocupação, por aqui, parece ser combater os camelôs, vendedores de produtos ilegais. Enquanto fica cheio de gente para roubar celulares”, conta a moça, que teve telefone levado por um rapaz de bicicleta que a empurrou. 

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