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FELIPE RAU/ESTADAO
FELIPE RAU/ESTADAO

Com espera de até 6 horas e congestionamento, SP inicia vacinação de idosos entre 80 e 84 anos

No posto do estádio do Pacaembu, os carros enfrentavam longas filas para chegar ao ponto de vacinação; com grande demanda, horário de atendimento nos drive-thrus foi estendido até as 19h e postos abrirão também no domingo

Gilberto Amendola e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2021 | 10h57
Atualizado 27 de fevereiro de 2021 | 23h30

Desde às 6h da manhã deste sábado, 27, uma fila quilométrica de carros ao redor da Praça Charles Miller (Estádio do Pacaembu), no primeiro dia  de vacinação de idosos entre 80 e 84 anos, provocou um congestionando incomum - com reflexos que foram sentidos desde a saída do túnel da Avenida Rebouças, Cardoso de Almeida e a região do hospital das Clínicas. Pela manhã, os carros demoravam quase 3 horas para chegar no ponto de vacinação. No período da tarde, a espera chegava a 6 horas.

Em razão da grande procura da população para a vacinação, a secretaria municipal da saúde da capital estendeu o horário de funcionamento dos drive-thrus até as 19h deste sábado e anunciou a abertura dos pontos também no domingo.

Alguns motoristas relataram discussões e tentativas de furar a fila entre os mais exaltados. Idosos que se dirigiram ao posto a pé não foram vacinados (o atendimento foi apenas drive thru ). “Moro perto e vim caminhando. Só agora soube que não posso ser vacinado sem carro neste posto”, disse um idoso que preferiu não se identificar.

Antes de chegar em um dos nove pontos de vacinação (3 na praça e outros 6 já na entrada do estádio), os carros passavam por uma triagem, onde os idosos confirmavam seus registros de vacinação ou eram registrados. Alguns motoristas, já estressados pelo tempo de espera, consideraram o número de pontos de vacinação insuficientes. “Isso é judiar do idoso. Acho que deveriam ter umas 50 pessoas passando nos carros e já fazendo registro e até vacinando”, reclamou.

"Acho um absurdo uma cidade como São Paulo ter só cinco drive-thrus e poucas tendas para triagem. Estamos há mais de seis horas na fila, sem comer nem ir ao banheiro", reclamou a pedagoga Ana Miller, de 61 anos, que levava a mãe, a musicista Maria Cecília, de 81 anos, para ser imunizada. "Viemos no primeiro dia porque ficamos com medo de ficar sem a vacina", disse.

O governador João Doria esteve por volta das 16 horas no local para acompanhar os trabalhos e foi confrontado por uma das pessoas que esperava há horas. "Chegamos às 12h15 e ainda estamos lá do outro lado do estádio. Qual é a consideração que vocês têm com os idosos? Eu trouxe minha sogra. Nós precisamos pedir em uma casa para a gente poder entrar e ela ir ao banheiro", disse José Galvão Ramos, de 71 anos, ao governador.

Doria pediu calma ao homem e justificou que a procura era alta e que todos os profissionais de saúde estavam lá desde cedo trabalhando para atender os que procuraram o serviço. "Circunstacialmente nós temos hoje fila porque muita gente veio ao primeiro dia", disse o governador.

A coordenadora do Centro de Controle de Doenças do Estado, Regiane de Paula, que acompanhou o governador na visita, ressaltou que, além dos cinco drive-thrus, 80 postos de saúde também ofereceram a vacinação em carros neste sábado, além de todas as AMAs, que realizaram a imunização tradicional.

Otimismo

Na maioria dos carros, a irritação pelo tempo de espera e pelo trânsito era substituído pelo otimismo. O casal Napoleone, por exemplo, não via a hora de sentir a agulha no braço. “Estou quase um ano sem sair de casa. Tudo o que quero é a vacina”, disse Marlene Napoleone, 83 anos. “Essa espera vai valer a pena”, contou Antônio Carlos Napoleone - os dois estão casados há 58 anos.

Na fila desde as 7h da manhã, Clementino Salopa, 82 anos, disse que já imaginava que seria assim. “Está todo mundo ansioso pela vacina” , falou. Já Rita de Cássia, que saiu de casa um pouco antes das 6h da manhã, não tirava o sorriso do rosto. “É pura alegria. Agora, estou a poucos passos da vacina”, avisou.

O estádio do Pacaembu é um dos cinco pontos de vacinação drive thru na cidade. Pelo cronograma original do governo, o público dessa faixa etária receberia a primeira dose da vacina contra a doença a partir da próxima segunda-feira, 1°, mas a data foi antecipada.

Quem desistiu do Pacaembu, teve mais sorte em outros endereços. Na UBS Humaitá, na Bela Vista, a vacinação era quase imediata. “Passamos quase 4 horas no  Pacaembu. Já estava passando mal. Aí tive a ideia de vir aqui na UBS. Levou um minuto”, contou Leandra Antunes, 82 anos. Na UBS, embora o atendimento não fosse drive-thru, o idoso com dificuldade de locomoção era atendido no próprio carro.

“Sou vizinha do Pacaembu, mas quando acordei e vi aquela fila, procurei um lugar mais calmo. Aqui, chegue e vacinei na hora”, disse Sônia Almeida, 84 anos - que também se vacinou na UBS  Humaitá.

No autódromo de Interlagos, outro posto de vacinação drive thru, há uma fila de aproximadamente 3 horas e meia para a vacinação. Assim como no Pacaembu, a fila de carros causou reflexo no trânsito em outras vias - como na avenida Interlagos. Francisco Pereira, 84 anos, disse que apesar da irritação estava empolgado com a vacina. “Mas parece que é uma coisa que nunca ia chegar”. 

Alguns motoristas estavam mais exaltados. “O carro da frente furou e ainda quer ter razão”, disse Miriam Palaverde, que levava a mãe de 83 anos para ser vacinada.

De acordo com balanço parcial do governo de São Paulo, 15 mil idosos de 80 a 84 anos foram vacinados no primeiro dia na capital, dos quais 3 mil foram imunizados no posto do Pacaembu.

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