Rafael Arbex/ ESTADAO
Rafael Arbex/ ESTADAO

Com licitação, SP terá mais 48 linhas de ônibus

Plano preliminar da SPTrans ainda prevê alterações de ao menos 30 itinerários, reduzindo sobretudo ligações diretas entre bairro e centro

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

30 Maio 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A São Paulo Transporte (SPTrans) divulgou um estudo preliminar da nova organização de linhas de ônibus da capital. O esquema vai valer para a licitação do sistema de transporte da cidade, que vai contratar novas empresas para operar as linhas. O plano acrescenta 48 linhas menores em São Paulo, mas altera o trajeto de pelo menos 30 dos atuais itinerários.

Conforme o Estado informou em março deste ano, o plano da gestão Fernando Haddad (PT) altera de duas para quatro as subdivisões do sistema de transporte da cidade.

O estudo preliminar reduz a quantidade de linhas que fazem a ligação direta entre bairros e o centro, mas aumenta a ligação entre bairros. O esboço confirma tendências já apresentadas por técnicos da SPTrans, como as de que os corredores de ônibus passariam a ser utilizados por veículos maiores – os chamados biarticulados – e os passageiros teriam de fazer mais conexões para cumprir seus atuais roteiros de viagem.

As novas redes são de quatro tipos. As radiais vão interligar bairros sem passar pelo centro. As perimetrais farão a ligação dos bairros em trajetos que passarão pelo centro. Já as de articulação terão a função de conectar bairros vizinhos e, por fim, as distribuidoras vão usar ruas mais estreitas em regiões mais difíceis para os coletivos. 

Hoje, existem apenas as subdivisões estrutural – operada por coletivos maiores e grandes empresas do ramo – e local. Esta última tem lotações gerenciadas por empresas formadas a partir de cooperativas. 

O esboço do plano foi publicado na quinta-feira, 28. Há ainda uma subdivisão da cidade em 21 áreas, contra as atuais nove.

Há uma semana, o secretário municipal de Transporte, Jilmar Tatto, adiantou, à Rádio Estadão, que haveria ainda uma divisão temporal entre as redes. São Paulo terá uma rede noturna e outra nos fins de semana, assim como haverá uma rede nos horários de pico. Essa divisão está no material divulgado. 

Polêmicas. A licitação está estimada em ao menos R$ 120 bilhões, por um prazo de 20 anos. A promessa da Prefeitura era de que o edital da licitação fosse lançado ainda neste mês, com o término do processo marcado para o mês que vem.

A licitação é feita em meio a suspeitas por parte dos Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores do Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindimotoristas) de que o novo processo cortará o número de postos de trabalho, uma vez que ele prevê a redução de veículos em circulação.

Há suspeitas também do Ministério Público Estadual (MPE) de que as atuais cooperativas do sistema, já transformadas em empresas formais, poderiam ser beneficiadas durante a concorrência. A Prefeitura nega.


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