Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Com lentidão triplicada, São Paulo tem segunda-feira atípica

Motoristas que passavam pela Avenida 23 de Maio enfrentaram engarrafamento; Waze admite falha

Bruno Capelas, Bruno Ribeiro e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2017 | 23h23

SÃO PAULO - A cidade de São Paulo registrou nesta segunda-feira, 23, um congestionamento atípico. Os índices de lentidão, na parte da tarde, ficaram mais do que o triplo acima da média dos dias comuns. Só a Avenida 23 de Maio, ligação entre o centro e a zona sul da capital paulista, registrou 8,7 km de lentidão na parte da tarde. Em toda a capital, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), às 14 horas, havia 78,1 km devias congestionadas - quando a média para o horário é de 23,4 km de filas de carros.

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Diversos usuários do Waze relataram ter enfrentado problemas ao seguir a rota sugerida, que insistia em jogá-los na travada Avenida 23 de Maio. O aplicativo, usado para fugir do trânsito com opções de trajeto mais rápidas, confirmou ter registrado uma falha, que definiu como “incidente”, mas disse que não comentaria o assunto. O aplicativo disse que o sistema já estava funcionando normalmente no fim da tarde, período em que os índice retornaram para a média.

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A CET não fez relação direta entre a falha e o trânsito incomum, mas também não apontou razões para o congestionamento. O aplicativo tem mais de 3,5 milhões de usuários ativos na Grande São Paulo. 

O consultor de mobilidade Flamínio Fichmann afirma que uma falha no algoritmo do aplicativo poderia, sim, causar o aumento da lentidão. “A 23 de Maio já é uma via saturada, e em muitos horários fica perto do limite de congestionamento. Mesmo se pouca gente a mais for para lá, já é suficiente para travar a via. É como uma garrafa quase cheia, que com pouca água a mais transborda”. 

 

Dor de cabeça

A gerente de marketing Ana Lígia Mazzafero, de 29 anos, levou duas horas e meia para fazer seu trajeto usual de uma hora e 20 minutos, da Vila Formosa, na zona leste, até a Rua Tutoia, na Vila Mariana, zona sul. “Trabalho na IBM e nunca vi nada parecido em uma segunda normal.”

Segundo Ana, colegas de trabalho tinham relatos parecidos. No caso dela, em vez de sugerir caminhos pela Avenida Anhaia Mello, por dentro do bairro Ipiranga ou pela Rua da Mooca, ele indicou para pegar a Avenida 23 de Maio. “O Waze estava calculando a rota com muito menos tempo. Me jogou na 23 de Maio, aí demorei horrores.”

Como a 23 de Maio é a principal rota de acesso ao Aeroporto de Congonhas, houve quem perdesse o voo por causa do trânsito atípico. O consultor de imagem Alexandre Taleb, de 46 anos, chegou a descer do carro com uma mala de viagem para chegar no Aeroporto de Congonhas. Após sair de casa, próximo na Avenida Paulista, por volta das 11 horas, ele chegou no aeroporto depois das 14 horas. 

Taleb costuma fazer o mesmo caminho uma vez por semana, mas geralmente não passa dos 20 minutos de duração. “Estava infernal, tudo parado. Desci com a mala nas costas e atravessei a avenida a pé”, relata ele, que foi até o local com um carro chamado pelo aplicativo 99 e que estava usando o Waze.

Por causa dos problemas em Congonhas, a companhia teve de bloquear, às 13h25, o acesso à Avenida 23 de Maio no aeroporto, para evitar veículos parados.

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