Com ipês, revitalização da rua do Gasômetro começa em setembro

Orçada em R$ 11 mi, reforma promete transformar via na principal ligação com a 25 de Março

Diego Zanchetta, de O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2010 | 23h09

 

SÃO PAULO - Orçado em R$ 11 milhões, o projeto para repaginar a Rua do Gasômetro e transformar o local na principal ligação entre as regiões comerciais do Brás e da Sé, no centro, deve finalmente sair do papel. O primeiro passo foi sua aprovação pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH). Com a autorização, a Prefeitura de São Paulo promete concluir a licitação e iniciar as obras até o fim de setembro.

 

Comerciantes da região negociam desde 2002 com o governo um plano de revitalização para a área. Em 2008, lojistas concordaram com a reforma proposta pela Prefeitura, e a verba foi reservada no orçamento de 2010. A administração municipal quer concluir, com a inauguração do Museu da História de São Paulo, em junho de 2011, o alargamento das calçadas e o aterramento dos fios da rua, que hoje concentra nos seus mil metros de extensão 32 lojas de móveis planejados.

 

A intervenção inclui ainda um novo projeto paisagístico, com o aumento da área do canteiro central, onde serão instalados 66 pontos de iluminação sem fios, além do plantio de 96 ipês roxos. Nesse mesmo canteiro serão construídos cinco quiosques, dois estacionamentos e uma baia para embarque e desembarque de mercadorias.

 

"Queremos uma cara mais chique para o Gasômetro, mas com a preservação dos traços da arquitetura fabril inglesa do século 19. Hoje muitas pessoas deixam de vir aqui pela dificuldade de acesso e por falta de um lugar para estacionar. Mesmo assim, tem decorador que prefere nossas peças exclusivas às das lojas dos Jardins", afirma Mario Franchini, de 56 anos, dono de uma loja de cadeiras para escritórios.

 

Segundo a Prefeitura, o plano de revitalização elaborado em 2002 pelo arquiteto Paulo Bastos foi substituído por outro que contempla o aterramento da fiação aérea, como já ocorreu em ruas como a Oscar Freire. "O objetivo é criar no canteiro central pontos de convívio para consumidores e comerciantes", explicou a arquiteta Anna Moraes Barros, da São Paulo Urbanismo, responsável pelo novo plano.

 

Igreja

 

O largo da Igreja Bom Jesus do Brás e as duas vias laterais - as Ruas Monsenhor Andrade e Jairo Góes - também terão as calçadas alargadas. Para aumentar as sombras nesse trecho, hoje sem vegetação alguma, está previsto o plantio de 600 metros quadrados de árvores pau-ferro.

 

"Eu gosto do clima do Brás, de comércio popular. Tenho medo de que transformem a rua numa Oscar Freire. Isso acabaria com seu charme", acredita o arquiteto Luiz Antonio Zambiani, de 43 anos, que frequenta a rua há 20.

 

A demolição do Edifício São Vito, barrada por enquanto na Justiça, e de outros imóveis antigos desapropriados pela Prefeitura no entorno do Mercado Municipal, na Avenida Mercúrio, também fazem parte do pacote para transformar a Rua do Gasômetro na "ponte" entre os dois principais redutos do comércio popular da capital, o Brás e a Rua 25 de Março. No lugar do São Vito, haverá uma passarela sobre o Rio Tamanduateí, por onde se poderá ir do Brás ao outro lado do centro e vice-versa.

 

Segundo urbanistas e moradores do Brás, a reforma abre "as portas do centro" para a zona leste. "Os viadutos na região e a falta de uma passarela de pedestres sobre o Rio Tamanduateí isolaram a zona leste do resto da cidade", lamenta Augusto Muccilo, de 62 anos, descendente de italianos nascido no Brás. Morador do bairro, ele assistiu à degradação da região do Parque Dom Pedro II nas últimas quatro décadas, mas tem esperanças de poder ir a pé até os sebos que frequenta no centro. "Acho que o museu trará muita gente para a região, comércio e moradores. Temos de aproveitar e cobrar a reforma."

 

Rua do Gasômetro - BRÁS/CENTRO

Por anos a iluminação de São Paulo foi à base de azeite de peixe. Em 1847, mudou para gás de hidrogênio líquido e, em 1863, para querosene. Na noite de 31 de março de 1872, diante da família imperial, 55 lampiões foram acesos com uma nova substância - o gás produzido no estabelecimento que deu nome à rua e se tornou conhecidíssimo: o Gasômetro.

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