Com habeas corpus, Pitta reaparece

Ex-prefeito diz que estava trabalhando nos 12 dias que passou foragido

Vitor Hugo Brandalise, de O Estado de S. Paulo,

03 Dezembro 2008 | 22h30

Duas semanas depois de ter prisão decretada por inadimplência no pagamento de pensão a ex-mulher, o ex-prefeito Celso Pitta reapareceu publicamente nesta quarta-feira, 03, para anunciar que não era mais procurado – segundo seus advogados de defesa, uma liminar de habeas corpus concedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo garantia novamente a recém-readquirida liberdade. "Fui surpreendido em pleno feriado (da Consciência Negra) sobre esse mandado de prisão e fiquei as duas semanas seguintes cumprindo minha agenda de trabalho. Enquanto isso, meus advogados trabalhavam pelo habeas corpus", justificou, em entrevista coletiva.   Pitta foi declarado foragido em 21 de novembro, quando a polícia esteve em sua casa para cumprir mandado de prisão expedido dois dias antes, devido ao não-pagamento de R$ 120 mil em pensão alimentícia à ex-mulher, Nicéa Camargo. Segundo Pitta, nas duas semanas em que esteve foragido, conseguiu, "com esforço", reunir "alguma quantia" para pagar à ex-mulher. De acordo com a defesa do ex-prefeito, a quantia – não-revelada – foi depositada anteontem, em juízo. A família de Nicéa, porém, não confirma o pagamento. "Ninguém nos falou nada, nem os nossos advogados, nem os dele", disse a filha do ex-prefeito, Roberta Camargo Pitta.   Os dias em que esteve fora cumprindo sua agenda de trabalho – ele presta consultoria na área de finanças e agronegócio –, segundo o ex-prefeito, também foram o motivo do não comparecimento à audiência da ação revisional proposta por ele próprio, para reduzir o valor da pena. "Nas condições financeiras em que estou, não é o momento de perder nem um dia de trabalho."   Nas duas semanas em que Pitta esteve foragido, sua ex-mulher não poupou esforços para constranger o ex-prefeito: primeiro, ofereceu R$ 1 mil para quem apresentasse informações que levassem à sua prisão. Depois, ameaçou usar dois algozes do ex-prefeito – o mentor da operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, e o promotor Silvio Marques, que move ação por improbidade contra Pitta – para provar que ele tinha condições de quitar sua dívida. "São todas ações de extremo baixo nível, é lamentável a postura desta senhora diante de um assunto tão sério", disse. "Mas acho bom que me coloquem frente a frente com todo o pessoal da Satiagraha, para mostrar que não tenho nada com isso."   Novamente, o ex-prefeito se queixou de sua posição financeira e classificou o valor da pensão alimentícia definida pela Justiça, de R$ 20 mil mensais, como "exorbitante". "Minha imagem ficou muito arranhada depois da Satiagraha. E tudo o que essa senhora fez foi trabalhar para denegri-la ainda mais. Tantos contratos foram cancelados que não tive mais condições de pagar a pensão. Ainda mais em termos tão absurdos, de R$ 20 mil. Vamos mudar isso." O novo valor, a ser proposto por Pitta em audiências próximas, segundo seus advogados de defesa, é de R$ 7,5 mil.

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