Com greve de policiais, 2ª via de documentos tem que ser paga

Boletim eletrônico demora até duas semanas para ficar pronto, apesar da SSP dizer ter reforçado a equipe

Rodrigo Pereira, de O Estado de S. Paulo,

29 de outubro de 2008 | 09h19

Efeitos da greve dos policiais civis são sentidos na emissão da segunda via de RGs e Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) nos Poupatempos da capital paulista. Muitos abriram mão da isenção da taxa ou tiram novo documento sem invalidar os antigos por não conseguirem registrar a ocorrência.   Veja também: Policiais civis do País param por 2 horas em apoio à greve em SP  Entrevista exclusiva com José Serra  Galeria de fotos do conflito no Morumbi Policiais civis e militares entram em confronto em SP; assista   Todas as notícias sobre a greve        Muitas vítimas de furto e roubo que tiravam novos documentos no Poupatempo relataram verdadeiras peregrinações por DPs, onde policiais as recebiam com a mesma argumentação: estavam em greve e deveriam buscar a Delegacia Eletrônica ou ir direto ao Procon. "Fui ao 2º DP, no Bom Retiro, e ao 11º DP, em Santo Amaro. Em um disseram que não fazem mais, que agora é só no Poupatempo; no outro, falaram que eu tinha de ter e-mail e fazer pelo computador", relatou o manobrista José Alberto Gomes dos Santos, que não demoveu os policiais ao argumentar que não tinha e-mail. "Arrume um amigo que tenha", recomendaram.   A assistente financeira Eliane Vieira teve a porta de sua casa arrombada na madrugada da quarta-feira passada e, ao acionar o 190 e o 197, foi orientada a registrar o furto na Delegacia Eletrônica - serviço de registro de ocorrências na internet da Secretaria da Segurança Pública. "Disseram que, como não era homicídio nem furto qualificado, não adiantava aparecer em nenhuma delegacia", disse Eliane. Até a manhã de terça, seu caso estava sob "avaliação" da Delegacia Eletrônica, que informava que o caso não tinha sido analisado por causa da "grande quantidade de boletins eletrônicos para avaliação".   "Então, decidi fazer de uma vez toda a documentação, pois estou há uma semana dirigindo sem habilitação", disse ela, ciente de que não precisaria pagar R$ 22,32 pelo novo RG. "O problema é não conseguir dar baixa nessa documentação." Ela ficou das 12 horas às 17h30 no Poupatempo da Sé e, ao chegar em casa, acessou o site da secretaria e obteve a resposta ao pedido de registro da ocorrência: indeferido, pois "a natureza" de seu caso exigiria a presença dela em DP. "Já nem sei o que fazer. Pelo jeito vou passar uns três dias em delegacias."   Dolores Aparecida Calvete Oltman foi assaltada na Rua Augusta, em 18 de outubro. "No mesmo dia, procurei quatro delegacias. Falavam da greve e em queda de sistema", contou. "Tinha tudo na minha bolsa, RG, CIC, habilitação, celular, dinheiro." Como não conseguia o BO, pagou todas as taxas para refazer a documentação.   Michelle Ventura, que utilizou boletim eletrônico duas vezes, percebeu aumento considerável no tempo do atendimento. "Há seis anos, roubaram minha carteira. Em duas horas me ligaram e o BO foi concluído. Dessa vez, fiz o registro há duas semanas e, como até agora não responderam, decidi fazer a segunda via do RG."   O Poupatempo da Sé orienta a fazer o BO em dois DPs próximos: a Seccional Centro e o 1º DP. Sem o BO, vítimas de furto ou roubo têm de pagar pelo RG. Para a CNH, exige-se o BO, mas o Detran aceita declaração da ocorrência em cartório. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que reforçou os quadros da Delegacia Eletrônica com 22 policiais e o tempo médio de resposta é de seis dias.

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