Com greve de PMs, Fortaleza vira 'cidade fantasma'

A Justiça Estadual do Ceará determinou o fim da greve dos policiais militares e bombeiros e seu retorno imediato ao trabalho, mas não adiantou. Mesmo com a decisão, a greve foi mantida e o clima de insegurança se espalhou ontem pelas ruas de Fortaleza. O comércio de rua fechou as portas. Repartições públicas e escolas também não funcionaram. E há notícias de arrastões.

CARMEN POMPEU , ESPECIAL PARA O ESTADO , FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2012 | 03h05

Nos hotéis, turistas estão sendo orientados a permanecer apenas nas proximidades, além de não carregar documentos importantes e grande quantidade de dinheiro. O medo tomou uma dimensão ainda maior por causa das redes sociais, nas quais usuários postam uma enxurrada de vídeos e comentários, verdadeiros e falsos. Por cautela, boa parte da população optou por permanecer em casa, deixando a ensolarada Fortaleza, em plenas férias, com clima de cidade fantasma.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Taxistas do Ceará, Vicente de Paulo Oliveira, cinco táxis foram roubados no centro da capital e dois foram roubados de uma concessionária da Volkswagen. Uma padaria na Avenida Antônio Sales, em uma das zonas mais nobres da cidade, foi invadida por bandidos. Um supermercado alguns metros adiante decidiu encerrar o expediente mais cedo.

Greve. O representante do Exército no Ceará, coronel Medeiros Filho, afirma que há apenas uma "sensação de insegurança". Ele informou que está sendo aguardada a chegada de mais 2 mil homens da Força de Segurança Nacional, que desde o início do movimento tenta manter a ordem no Ceará. O governo cearense informou que 159 viaturas da Força Nacional estão em ação no Estado e até amanhã esse número será elevado para 184.

As negociações para o fim da greve ainda continuam. Segundo o presidente da Associação dos Praças, Policiais Militares e Bombeiros, Pedro Queiroz, a greve foi mantida porque as representações dos militares ainda não foram notificadas sobre a decisão judicial que decretou a ilegalidade da paralisação e a desocupação dos prédios onde os manifestantes estão aquartelados. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado informou que vai adotar medidas para que a liminar seja cumprida. O comando da Polícia Militar (PM) não descarta um confronto com os manifestantes aquartelados na 6.ª Companhia do 5.° Batalhão da PM, no bairro Antônio Bezerra.

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