Fabiana Cambricoli / Estadão
Fabiana Cambricoli / Estadão

Com greve de ônibus em Osasco, idosos andam 6 km para ir a hospital e voltar

Paralisação levou idosa em tratamento contra câncer ter de andar até o hospital; no trajeto, seu marido chegou a levar um tombo e se machucar

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

23 Maio 2014 | 13h15

OSASCO - Operada de um câncer de mama há três meses, a dona de casa Ana Aparecida Matos, de 80 anos, e o marido, José Francisco Matos, de 81, moradores de Osasco, tiveram que andar cerca de 6 km para conseguir ir a uma consulta no Hospital das Clínicas, na zona oeste de São Paulo, e depois voltar para casa, na manhã desta sexta-feira, 23.

Na ida, após não conseguirem ônibus, caminharam 3 km até a estação de trem Osasco da CPTM e depois utilizaram o metrô. “No caminho de casa até a estação, acho que ele estava tão preocupado com o horário da minha consulta que levou um tombo na rua”, afirma Ana sobre o marido, que, na queda, machucou o rosto e a mão direita.

Mancando, ele conta que foi difícil caminhar por todo o trajeto. “Ninguém respeita as regras, deixam as calçadas cheia de degraus e buracos. Para mim é difícil porque tive um derrame e afetou todo o lado direito do corpo, por isso ando mancando”, diz.

Duas horas e meia após saírem do hospital, chegaram ao terminal de Osasco depois de pegaram dois ônibus em São Paulo e, ao perceberem que a greve continuava, tiveram que andar outros 3 km até em casa. "Sou contra essa greve, não podem prejudicar a população desse jeito", diz Matos.

No terminal, vans clandestinas cobravam R$ 5 de passagem para fazer linhas afetadas pela paralisação.

A empresa Viação Osasco, a mais afetada, se reuniu com os trabalhadores na manhã desta sexta para ouvir reivindicações da categoria. A companhia prometeu se posicionar às 15h.

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