Com duas baterias, Mangueira arrepia Sapucaí na 2ª noite, mas estoura tempo

Escola que cantou a história de Cuiabá perdeu pontos; Salgueiro fechou 1ª noite como favorita e Unidos da Tijuca teve problemas

O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2013 | 02h02

A Mangueira arrepiou a Marquês do Sapucaí ontem por volta das 23h30 quando, em alternância, colocou duas baterias - a verde e a rosa - para conduzir seu samba-enredo Cuiabá: Um Paraíso no Centro da América! A escola levantou o sambódromo na segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Rio, mas estourou o tempo regulamentar de 1h22 e perdeu pontos - o que ameaça a conquista do título.

As baterias, compostas por 500 ritmistas, abusaram nas paradinhas e, com uma paradona de dois minutos e meio, colocaram o público para cantar e aplaudir a escola, de ponta a ponta da Sapucaí. Mestre Aílton foi o responsável por colocar as duas baterias, lado a lado. Enquanto uma se apresentou, a outra silenciou e levantou os instrumentos. O efeito fez bonito.

Dos ritmistas, 180 foram arregimentados há 3 meses. Muitos eram de outras escolas. "A segunda bateria é para trazer ao desfile a garra e a emoção do ensaio técnico. Elas têm funções diferentes, mas mesma importância", disse o presidente Ivo Meirelles.

A comissão de frente da Mangueira retratou a formação de Cuiabá, guiados por um pároco. Delegado, o mais importante mestre-sala da escola, surgiu desse padre.

Primeira a desfilar, a São Clemente abusou das paradinhas e da irreverência em sua passagem pela Sapucaí. Foram cinco paradinhas que fizeram os integrantes da escola cantar o samba-enredo Horário Nobre, sobre as novelas brasileiras. O público, no entanto, não entrou no clima de Vale a Pena Ver de Novo e não acompanhou o coro do samba em muitos momentos, tirando o brilho da escola.

Apesar do bonito desfile, a São Clemente teve pequenos problemas. O forte calor na Sapucaí e o peso das fantasias castigaram as baianas. Duas componentes passaram mal e deixaram o desfile. Em outras alas, os integrantes desfilaram segurando chapéus e partes das fantasias, que se desfizeram durante a apresentação.

A comissão de frente da escola levou à avenida personagens históricos de novelas como Irmãos Coragem, Roque Santeiro, Que Rei Sou Eu, Escrava Isaura e até fenômenos recentes, como Avenida Brasil, representada pela vilã Carminha.

Primeira noite. A Portela e a União da Ilha foram as escolas mais aplaudidas na primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio. As duas optaram por enredos sem patrocínio. Enquanto a Portela homenageou o bairro de Madureira, que completa 400 anos, e seu torcedor mais ilustre, Paulinho da Viola, a Ilha reverenciou o centenário de nascimento do poeta Vinicius de Moraes.

Como era esperado, o Salgueiro, ainda na noite de domingo, e Unidos da Tijuca, a atual campeã, foram as escolas mais luxuosas e técnicas da primeira noite. Problemas na evolução das alegorias e socorro de componentes que passaram mal podem fazer a Tijuca perder pontos.

Exuberante e com alegorias muito bem acabadas, o Salgueiro contou a história da fama. A escola recebeu R$ 3,5 milhões da revista de celebridades Caras.

Com fantasias leves e muita descontração, a União da Ilha mostrou ao mundo um Vinicius boêmio, diplomata, mulherengo, letrista e poeta. A Mocidade Independente de Padre Miguel rendeu homenagem ao Rock in Rio. / ANTONIO PITA, CLARISSA THOMÉ, FÁBIO GRELLET, HELOISA STURM, MONICA CIARELLI, SÍLVIO BARSETTI E TIAGO ROGERO

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