Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Com ciclovias em São Paulo, bicicletas viram novo sonho de Natal

Rotas impulsionam compras; vendas subiram 10%, segundo lojista

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Os 139,2 km de ciclovias instaladas em São Paulo neste ano transformaram as bicicletas em um dos principais presentes de Natal em 2014. Lojistas já identificam crescimento na procura pelo produto e esperam que as vendas melhorem ainda mais.

“Houve aumento de 10% nas vendas nos dois últimos meses em relação aos meses anteriores. Atribuímos esse crescimento ao público que está começando a frequentar as ciclovias”, disse Paulo Pina, de 46 anos. Ele é sócio da Anderson Bicicletas, que existe desde 1992 no Brooklin, zona sul.

Fábio Petrillo, de 36 anos, proprietário da Bike Runners, no Tatuapé, zona leste, atribui 10% do seu faturamento mensal a ciclistas iniciantes. “As pessoas quando vêm aqui comentam: ‘Estou vendo todo mundo pedalar, também quero começar’”, afirmou Petrillo. Ele espera um Natal positivo, principalmente após um ano com economia enfraquecida.

Apesar de estar em Cotia, na Grande São Paulo, a Pedal Pardal, na Granja Viana, estendeu seu horário de funcionamento em dezembro para atrair interessados em colocar bicicletas embaixo da árvore de Natal. “Vamos abrir por duas horas a mais todos os dias, até porque o movimento tem melhorado nos últimos meses. A gente acredita que um dos motivos seja as ciclovias”, disse o funcionário Jefferson Fonseca.


Influência. Os filhos do administrador de empresas Cesare Bonomi, de 43 anos, já garantiram seus presentes. Na primeira semana de dezembro, os meninos de 9 e 11 anos foram a uma loja e escolherem suas bicicletas. “As ciclovias mudaram os hábitos da nossa família nos fins de semana. Ando semanalmente de bike há anos e meus filhos estão cada vez mais interessados”, disse Bonomi.

Para o gerente da loja Bike Tech, nos Jardins, André Feldman, de 43 anos, os hábitos de pessoas próximas influenciam as atitudes dos demais. “Se um familiar anda de bicicleta, tendemos a respeitar mais os ciclistas. Se vemos ciclovias sendo usadas, ficamos com vontade de participar.”

Reginaldo Marinho, segurança de 35 anos, comprova essa tese. Morador de Santana de Parnaíba, ele pedala diariamente 26 km para chegar ao trabalho. Não é por acaso que seu filho, Felippe, de 6 anos, quer ganhar acessórios para a sua pequena bike. “Estamos atrás de um capacete para o Felippe, porque ele já anda comigo sem medo pelas ciclovias”, explicou o pai.

Expectativa. A Aliança Bike, que reúne empresas, fabricantes, importadores, fornecedores, distribuidores e lojistas, estima crescimento de 15% das vendas para o Natal. Já a Associação Brasileira da Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Bicicletas, Peças e Acessórios (Abradibi) avalia que as ciclovias fizeram as pessoas tirar as bikes da garagem, sem reflexos nas vendas. “O crescimento é verificado entre fabricantes que oferecem produtos com maior valor ou importadores.”

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