Com chuva atual, diretor da Sabesp diz ter ‘certeza’ de que faltará água e luz

Em depoimento ao MPE, Paulo Massato declarou que há possibilidade de desabastecimento em 2015 e em 2016

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

15 Novembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - O diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato, deu “absoluta certeza” de que “faltará água tratada para a população”, em 2015 e 2016, se o baixo regime de chuvas que atinge o Estado se mantiver por mais tempo. A afirmação foi feita a dois promotores de Justiça que investigam as ações da Sabesp diante da crise hídrica que assola São Paulo. 

Massato, engenheiro civil de formação e funcionário da empresa há 31 anos, declarou ainda que “também faltará energia elétrica, considerando o baixíssimo nível dos reservatórios das respectivas usinas”, segundo seu depoimento. Até esta sexta-feira, 14, o Sistema Cantareira, principal conjunto de reservatórios da região metropolitana, havia recebido 90 milímetros de chuva. No ano passado, na mesma data, o acumulado do mês era de 23 milímetros. A média histórica do mês de novembro é de 163 milímetros, segundo dados da Sabesp.

Massato garantiu que faltaria água e energia ao responder pergunta do promotor Otávio Ferreira Garcia sobre quais providências a Sabesp adotaria para garantir o abastecimento no ano que vem, se a seca continuar. Anteriormente, havia sido questionado sobre as obras realizadas antes da crise, para garantir o abastecimento - e alegou que, desde 2004, a empresa vem executando medidas para diminuir a dependência do Sistema Cantareira. 

O promotor também questionou Massato sobre as ações de transparência adotadas pela empresa ao expor a crise à população e sobre as medidas adotadas depois de detectada a condição extremamente baixa de chuvas. Ele afirmou que a empresa distribuiu releases (textos explicativos enviados a jornalistas) e “foram concedidas diversas entrevistas” sobre o tema, antes de a Sabesp veicular textos na imprensa por conta própria.

As informações foram anexadas ao inquérito da Sabesp, que já tem depoimento da presidente da empresa, Dilma Pena.

Ação conjunta. Os promotores do Patrimônio Público e Social da capital paulista devem reunir-se na semana que vem com colegas do interior do Estado - cujos mananciais têm situação pior do que a capital - para traçar investigações conjuntas. Neste sábado, uma reunião entre todas as promotorias do Meio Ambiente do Estado também deve delinear ações conjuntas para atribuir responsabilidades. 

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