Com cheiro de novela da Globo

Sábado foi o dia em que as trilhas de novelas dominaram o Rock in Rio. De Cazuza a Coldplay, não houve show que não resgatasse algum fragmento de memória relacionado à telinha, seja este afetivo, como o de um romance, ou insignificante como o do momento em que se espera o fim da novela e o início do futebol.

ROBERTO NASCIMENTO , ENVIADO ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2011 | 03h04

As madeleines televisivas começaram cedo, quando Tiê fez seu cover de Você Não Vale Nada (mas eu gosto de você), do Calcinha Preta, acompanhada de Jorge Drexler. Jorge, aliás, fez o show mais cool do Rock in Rio, mostrando que sutilezas cabem, sim, em um festival popular. Mais tarde vieram figuras carimbadas do pós-janta: Frejat, Cazuza e Skank, seguidos da popular banda mexicana Maná, que emplacou um sucesso em Mulheres Apaixonadas.

Mas a Cidade do Rock só se transformou totalmente em uma festa do Projac nos últimos minutos do show do Maroon 5, quando o vocalista Adam Levine tocou She Will Be Loved ao violão solo.

É interessante que o Maroon 5 seja imediatamente vinculado a uma musicalidade tão populista, pois desde o início a banda tenta reter alguma legitimidade pop com referências a Prince, Earth Wind and Fire e um suingue vintage, difícil de se ouvir em uma banda desta magnitude.

Isto ficou claro no início do show quando tocaram a nova Moves Like Jagger, que tem um videoclipe em que os integrantes da banda, juntos a Christina Aguilera, imitam o líder dos Stones. A sacolinha de influências da black music resultam em um soul franzino, inofensivo e, ao mesmo tempo, agradável.

Foi este o tom da banda californiana do início ao fim do show que abriu para o Coldplay, preparando o público para a épica Viva La Vida, do Coldplay, a mãe de todas as trilhas novelescas do Rock in Rio.

O guitarrista Joe Satriani pode ter acusado Chris Martin de plágio, mas há pouco que se assemelhe no cenário pop contemporâneo (além do U2, mestres deste tipo de canção galopante, nascida para os estádios) à sonoridade épica de Viva La Vida.

É uma fórmula que o grupo Maná tenta, sem sucesso, alcançar. A banda já tem mais de 30 anos de estrada, e há um mínimo de sensualidade necessária para atiçar o público, quando se trata pop, o que fica difícil com a barriguinha e os cabelos grisalhos de Fher Olvera.

O cantor poderia ter ajustado sua música nas últimas décadas, para não parecer com um motoqueiro em crise de meia idade, mas a escolha foi continuar cantando hinos melosos à juventude.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.