EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO
EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO

Com carro arrastado, avó, filha e neto escapam de enchente

'A gente ficou parada e achou que a água ia baixar. De repente, em questão de três minutos, a água começou a entrar. Foi muito rápido'

Evelson de Freitas e Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 21h27


SÃO PAULO - Avó, filha e neto tiveram de sair pela janela do carro na Rua Jules Rimet, no Morumbi, zona sul de São Paulo, para não serem arrastados pela chuva que atingiu a capital nesta quinta-feira, 19.

Cecília e Priscila Cabral, de 54 e 35 anos, foram buscar João, de 6, na escolinha de futebol do São Paulo, assim que começou a chover. “Nós até saímos mais cedo de casa porque eu sei que essa região sempre alaga”, explicou Priscila. A aula termina às 15 horas, mas as duas chegaram ao local às 14h30.

Cecília, que estava dirigindo, ficou no carro enquanto Priscila desceu para chamar João no ginásio. Os dois entraram no carro, mas Cecília não seguiu em frente porque a enxurrada não permitiu. “A gente ficou parada e achou que a água ia baixar. De repente, em questão de três minutos, a água começou a entrar (no veículo). Foi muito rápido. A porta do carro não abria nem o vidro. Quando eu consegui abrir o vidro, tirei meu filho, saí e minha mãe saiu”, relata Priscila. A professora afirma que a água já estava batendo no peito quando elas escaparam.


Uma família que mora nas proximidades chamou-as e acolheu-as dentro de casa. “Eu sempre via na TV, no jornal, mas nunca tinha passado nada próximo de uma situação assim na vida. Não tinha noção de quão rápido a água sobe, é assustador”, afirmou Priscila. “Eu fiquei receosa porque sarei da dengue na terça-feira, então tive medo de descer nessa água. Passei 30 dias doente. Mas minha maior preocupação era tirar o João lá de dentro.”

O carro delas, um Fiat Doblò, foi arrastado pela enchente e parou alguns metros à frente de onde estava. Os que estavam estacionados na rua bateram entre si e amassaram - o guincho chegou só no fim da tarde.

Depois que a chuva passou, Priscila foi conferir o estado do carro: cheio de lama e com as cadeirinhas dos dois filhos estragadas. “Mas eu tenho de agradecer. Só terei de consertar o carro e pronto.” 

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