Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Com aumento de casos de covid, Einstein transfere cirurgias para unidade em Perdizes

Hospital também prioriza pacientes do Estado de São Paulo nas admissões para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI)

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2020 | 10h22
Atualizado 16 de dezembro de 2020 | 00h40

   

SÃO PAULO - Diante do aumento de casos de covid-19, o Hospital Israelita Albert Einstein, no Morumbi, zona oeste da capital, está transferindo cirurgias e procedimentos de menor complexidade para a unidade em Perdizes, também na zona oeste. O hospital restringiu ainda o número de cirurgias em até 110 na unidade do Morumbi e prioriza pacientes do Estado de São Paulo nas admissões para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O hospital informou nesta terça-feira, 15, que a taxa de ocupação de casos do novo coronavírus e de outras doenças está em 90,5%. Havia 125 pacientes internados com covid-19, 71 deles na UTI. No dia 1º de dezembro, o hospital tinha 97 casos e 52 infectados pelo novo coronavírus em terapia intensiva.

Segundo o hospital, entre a última semana de setembro e o dia 12 de novembro, a média de internação de infectados pelo vírus oscilou entre 50 e 55 pacientes.

Presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Sidney Klajner diz que o hospital tem reuniões diárias para a gestão dos 620 leitos. Dependendo da demanda, eles podem ser transformados para receber pacientes infectados pelo vírus, inclusive com portas de isolamento e pressão negativa, e retomar sua função original se a procura cair.

"Temos expertise no fluxo de pacientes, gestão de leitos, diminuição do tempo de permanência dos pacientes. Isso vem sido criado ao longo do tempo, principalmente nos últimos dois anos. Temos algoritmo que permite predizer o número necessário de leitos e que permite antever piora no estado clínico. Temos reuniões diárias do comitê de crise, que transforma os leitos de acordo com a demanda covid, tendo a premissa de que ninguém vai deixar de ser atendido."

Klajner relata que o hospital teve um pico de pacientes, com e sem covid, há três semanas, mas que a taxa de ocupação vem caindo. "O máximo que tivemos foi 102% em uma sexta-feira há três semanas. Tivemos recorde de cirurgias represadas, incremento de pacientes covid. O hospital voltou a operar normalmente."

Embora o fim de ano seja um período de redução de cirurgias eletivas, ele afirma que há uma preocupação com aglomerações e novos casos da doença.

"A mensagem que a gente passa é a de ficar em casa, usar as medidas de proteção, não tirar a máscara e evitar ambientes fechados, onde é obrigado tirar máscaras, como restaurantes.  Se não houver uma consciência do coletivo de que qualquer promoção de eventos vai gerar uma catástrofe, vamos ver uma situação de calamidade. Nas festas de ano, as pessoas têm de comemorar que têm saúde."

Klajner afirma que um dos aprendizados da pandemia foi a importância de cuidar da saúde. "Ser negligente com a saúde é a maior causa de complicações. Não importa se os países são avançados, não adianta ter toda tecnologia do mundo. Com saúde, está todo mundo no mesmo barco."

Tecnologia auxilia na gestão de leitos

Para agilizar o atendimento, o Einstein adotou um sistema de gestão de leitos que utiliza ferramentas tecnológicas. "O sistema conta com painéis de controle que são acompanhados continuamente, permitindo ajustes de alocação e fluxo a qualquer momento. O uso de tecnologias como machine learning e inteligência artificial otimizam a capacidade, permitindo o atendimento de um número maior de pacientes sem as dificuldades inerentes a uma taxa de ocupação maior", informou, em nota.

Outra medida adotada foi o programa Alta Segura, que utiliza telemedicina para que os médicos titulares façam a visita de alta de forma virtual com o auxílio de médicos hospitalistas. A iniciativa tem o objetivo de agilizar o processo de alta, o que permite a liberação de leitos.

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Rede privada registrou aumento de internações pela doença no fim de novembro

Em 30 de novembro,  o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) divulgou levantamento que apontou que a taxa média de ocupação dos leitos de UTI para covid-19 era de 84% nos hospitais privados.

A pesquisa, realizada com 20% dos hospitais particulares, mostrou ainda que 79% dos hospitais na rede particular registraram aumento de internações pela doença entre 23 e 26 de novembro em relação ao período de 16 a 19 de novembro.

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