Taba Benedicto/Estadão
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Grande SP e mais 3 regiões regridem para fase laranja; comércio e restaurantes fecham às 20h

Determinação abrange exclusivamente estabelecimentos considerados não essenciais; imunização de idosos de 77 a 79 anos começa na quarta-feira, 3, e a de 80 a 84 foi antecipada para este sábado, 27

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2021 | 12h32
Atualizado 26 de fevereiro de 2021 | 16h32

Em meio ao recrudescimento da pandemia da covid-19 em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) anunciou a antecipação da vacinação para idosos de 80 a 84 anos e de 77 a 79 anos e, ainda, a reclassificação para fases mais restritivas da quarentena em seis regiões do Estado, incluindo a Grande São Paulo. As determinações ocorrem em um momento em que o Estado bate recordes de internações pelo novo coronavírus nas UTIs e terá, a partir desta noite, uma força-tarefa (chamada de "toque de restrição") para autuar e conter aglomerações entre as 23 horas e as 5 horas.

O início da imunização de idosos de 80 a 84 anos foi antecipada em dois dias, com início para este sábado, 27, a exemplo do que foi definido pela Prefeitura de São Paulo na quinta-feira, 25. Além disso, a vacinação da população de 77 a 79 anos foi adiantada para a quarta-feira, 3. As duas faixas etárias somam 993 mil pessoas. Até as 12h40 desta sexta-feira, São Paulo havia aplicado 2.245.428 vacinas, das quais 489.446 em pessoas que receberam a segunda dose. 

Doria também anunciou a reclassificação de sete regiões pelo Plano São Paulo. A Grande São Paulo e as regiões de Campinas, Sorocaba e Registro saíram da fase amarela para a laranja. Nesse faseamento, todos os estabelecimentos liberados pela amarela podem funcionar, mas até as 20 horas (em vez de 22 horas), com até 40% de ocupação, funcionamento limitado a 8 horas por dia e, no caso dos bares, veto à venda de bebidas para consumo no local. Os prestadores de serviços considerados essenciais, como supermercados, farmácias e postos de gasolina, não têm limitação.

As regiões de Marília e Ribeirão Preto foram da fase laranja para a vermelha, na qual seguem Bauru, Araraquara, Presidente Prudente e Barretos. Segundo o governo, 76% da população estadual está na fase laranja, enquanto 9% na amarela e 15% na vermelha. Somente a região de Piracicaba teve melhora e foi para a fase amarela.

As regras da reclassificação passarão a valer na segunda-feira, 1º. As regiões com piores taxas de ocupação de UTI são as de Bauru (92,3%), Presidente Prudente (90,5%) e Araraquara (90,4%).

Mais uma vez, São Paulo registra maior número de internações em UTI por covid-19 desde início da pandemia

O Estado está com 6.767 internados com suspeita ou confirmação da covid-19 em leitos de UTI, o maior registrado em toda a pandemia e que é 8% superior ao recorde de 2020, datado de julho. A média diária de novas internações é de 1.740, uma elevação de 13% em relação à da semana anterior. Outros 8.042 pacientes estão em enfermaria. "A segunda onda tem sido potencialmente mais trágica que a primeira. Isso é um fato, um fato triste", lamentou Doria, durante coletiva de imprensa. 

Ao todo, são 2.026.125 casos e 59.129 óbitos por covid-19 confirmados. A taxa de ocupação é de 70,4% em UTI e de 51,2% em leitos de enfermaria, média que fica em 70,8% e 57,1%, respectivamente, na região metropolitana de São Paulo. 

Além disso, foi identificado um aumento de 6% em casos (média de 9.117 novos por dia) e de 4% em óbitos (média de 231 por dia) na atual semana epidemiológica em relação à anterior. "Ele pode ser ainda maior por dois motivos: nós não acabamos ainda a semana epidemiológica (termina no sábado). E esses dados podem estar ainda represados (por causa do carnaval), como a gente vem falando e, possivelmente, ainda possam ter uma elevação ao longo do próprio dia", explicou o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn.

O secretário destacou que, se as medidas restritivas não forem cumpridas e o crescimento de pacientes internados se mantiver, o Estado terá um esgotamento de leitos de UTI em 20 dias, o que pode ocorrer em 19 dias na região metropolitana de São Paulo. "Estamos fazendo o melhor, mas tudo tem limite: recursos; recursos humanos, espaços em UTI para aumentar. Nós temos o risco de colapsar. Nós precisamos do apoio da população. A população mais do que nunca tem que acolher os nossos chamados", pediu o secretário.

Coordenador do Centro de Contingência, Paulo Menezes apontou que há um crescimento médio de 1,6% no número de internações em UTI diariamente no Estado. Para ele, se as medidas de restrição forem seguidas, é possível que impactem a tendência de aumento em uma semana, com a estabilização e início de decréscimo nas taxas.

Governo de SP cogita contratar leitos em hospital privado na capital

Gorinchteyn disse que o Estado de São Paulo planeja novas ampliações de leitos de internação e cogita a abertura de hospitais de campanha, especialmente em espaços hospitalares já existentes. Ele também relatou que o governo estadual recebeu uma oferta para utilizar as instalações de um hospital na região central paulistana, que está “absolutamente vago”.

"São 130 leitos que poderiam ser utilizados. Só precisaria ser incrementada a movelaria e inseridos os profissionais para o atendimento”, afirmou. O secretário não informou, contudo, o nome da instituição.

"Todas essas possibilidades já estão sendo avaliadas e, possivelmente, retomadas nos próximos dias. A medida que nós tivermos um incremento ainda maior de ocupação dos leitos de UTI."

Segundo ele, a reabertura de hospitais de campanha em espaços abertos, como foi no Estádio do Pacaembu e no Complexo do Ibirapuera, demandaria mais tempo e, por isso, não é prioridade. “Os hospitais de campanha estão sendo realmente avaliados, de preferência vão acontecer dentro de unidades hospitalares já existentes, para que a gente possa ter uma celeridade na abertura e início da sua assistência”, disse. 

“Frente à velocidade da instalação da pandemia, não teremos tempo de abrir licitação, como fizemos para os hospitais de campanha naquela época (primeiro semestre de 2020)”, argumentou. 

Além disso, o secretário destacou que as ampliações dependem também da disponibilidade de recursos humanos, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas. 

Em 13 de fevereiro, São Paulo reativou o hospital de campanha na estrutura interna do prédio do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Barradas, localizado em Heliópolis, na zona sul da Capital. O espaço conta com 24 leitos de UTI e outros 20 de enfermaria e, na quinta-feira, 25, estava com 85% de ocupação.

São Paulo inicia força-tarefa contra aglomerações na noite desta sexta

Chamado de “toque de restrição”, o aumento das ações de fiscalização foi oficializado em decreto publicado no Diário Oficial desta sexta-feira, data em que também passou a vigorar. A determinação autoriza a Polícia do Estado de São Paulo a dispersar aglomerações, “sempre que constar reunião de pessoas capaz de aumentar a disseminação da covid-19”. 

Não há detalhes do que caracteriza esse tipo de agrupamento. Em coletiva na quarta-feira, 24, contudo, o governador havia declarado que o foco são as médias e grandes aglomerações, especialmente as que reúnem mais de 100 pessoas.

O decreto também oficializa que as secretarias estaduais da Saúde e da Segurança Pública e a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) serão responsáveis pela fiscalização do cumprimento do Plano São Paulo, de acordo com as restrições previstas para cada região, como horário de funcionamento e ocupação máxima, dentre outras. 

O descumprimento poderá ser configurado como infração sanitária, com base no Código Sanitário do Estado, o que implica em advertência, interdição parcial ou total do estabelecimento e pagamento de multa de R$ 290 a R$ 290,9 mil. 

Além disso, a publicação também destaca que estão mantidas as penalidades contidas no Código de Defesa do Consumidor, que pode chegar a multa de R$ 10,2 milhões, e, ainda, em dois artigos do Código Penal. São eles: artigo 268, que prevê detenção de um mês a um ano e multa para quem "infringir determinação do poder público destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”, e artigo 330, que determina detenção de 15 dias a seis meses e multa para quem “desobedecer a ordem legal de funcionário público”.

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