Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Doria anuncia vacinação de idosos de 72 a 74 anos a partir de 22 de março

São Paulo enfrenta aumento óbitos e internações de covid-19 e tem até fila de espera de UTI; governo divulga 338 novas vagas para hospitalização

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 12h43
Atualizado 10 de março de 2021 | 17h14

vacinação de idosos de 72 a 74 anos contra a covid-19 no Estado de São Paulo começará em 22 de março, de acordo com anúncio feito pelo governador João Doria (PSDB) em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira, 10. Para evitar longas filas de espera como as registradas em outros momentos da campanha, especialmente nas unidades drive-thru, o governo pediu para que a população evite ir aos postos de imunização na manhã do primeiro dia. 

A nova faixa etária é estimada em 730 mil pessoas, o que deve totalizar mais de 4 milhões de vacinados, número que inclui profissionais de saúde, quilombolas, indígenas e outros grupos prioritários. Na próxima segunda-feira, 15, será a vez da ampliação da campanha para idosos de 75 e 76 anos.

O anúncio ocorre em um momento em que o Estado enfrenta um aumento de casos, óbitos e internações pelo coronavírus, chegando a registrar fila por vaga de internação. Somente em março, ao menos 26 pessoas morreram por covid-19 enquanto aguardavam transferência para um leito

“Infelizmente, infelizmente mesmo, estamos em uma situação de alerta máximo no caso de São Paulo, mas não é diferente na maioria dos Estados”, declarou Doria durante coletiva de imprensa. “Em São Paulo, vários hospitais estão lotados e (os) números (são) crescentes de infecção, internação e óbitos."

Ele também divulgou 338 novas vagas de internação para pacientes da doença, dos quais 167 são de UTI. Esse é o terceiro anúncio de ampliação em duas semanas, totalizando 1.118 novos leitos para este mês, dos quais 676 são de UTI. “A gravidade dos novos casos exige mais tempo de internação. Isso sobrecarrega hospitais e limita a rotatividade de leitos hospitalares”, completou.

Na segunda-feira, 8, o governo havia anunciado 280 novos leitos, metade de terapia intensiva, enquanto, na semana anterior, foi divulgada a criação de 500 novas vagas. Segundo o governo, o Estado tinha 3,5 mil leitos de UTI públicos antes da pandemia, número ampliado ao longo dos meses e que chegará a 9,2 mil até abril.

Na coletiva, o governador disse, ainda, que a situação está à “beira de um colapso” e que São Paulo vai “evitar de qualquer maneira” que os profissionais de saúde tenham que escolher “quem deve viver e quem não deve”. “É sabido que vários hospitais (paulistas) não têm mais vagas disponíveis, a pressão está crescendo de forma acelerada.”

Na terça-feira, 9, o Estado registrou 517 mortes pelo novo coronavírus,  o número mais alto desde o começo da pandemia. Até então, o recorde era do último dia 2, com 468 óbitos. O número de casos também continua subindo, e é o maior deste ano, com registro de 16.058 infectados em 24 horas.

O Estado tem  2.149.561 casos e 62.570 óbitos por covid-19. Ao todo, são 20.314 internados com suspeita ou confirmação da doença, dos quais 8.972 estão em UTI e os demais 11.342 em leitos de enfermaria. “Aceleramos, e aceleramos muito num período muito curto, com grande número de pessoas”, destacou o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn.

A taxa de ocupação é de 82% em UTI, média que é de 82,8% na Grande São Paulo. Em enfermaria, a ocupação é de 66,1% no Estado, enquanto é de 74,2% na região metropolitana da capital.

Governo de SP estuda novas restrições e ‘fase roxa’

Como noticiou o Estadão, o governo discute a possibilidade de criar uma classificação mais restritiva do Plano São Paulo, chamada fase roxa. A possibilidade é debatida internamente há semanas no Centro de Contingência do Coronavírus, como noticiou o Estadão em fevereiro, e ganhou espaço com o agravamento da pandemia.

"Estamos discutindo com o governo a necessidade de novas medidas eventualmente mais restritivas. Estamos trabalhando nisso. Acredito que, conforme seja necessário, o governo vai anunciar novas medidas se for o caso. Tudo indica que sim, porque vemos um crescimento constante tanto de casos quanto de óbitos”, disse Paulo Menezes, coordenador do centro.  “Estamos trabalhando como viabilizar medidas que possam de fato aumentar o nível de isolamento social”, completou. 

Secretário diz que SP ‘não dá conta’ de abrir leitos na mesma velocidade que a da covid-19

Mesmo ao anunciar a ampliação de leitos, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, admitiu que o Estado não consegue aumentar a oferta de vagas no mesmo ritmo do crescimento da demanda por internações, especialmente de UTI.  “Nós não temos fôlego de abrir na mesma velocidade (da doença) esse número de leitos. Mas temos que dar o máximo de assistência a todos", afirmou.

“Não daremos mais conta de abrir mais leitos. Precisamos da ajuda de todos. Que todos fiquem em casa, só saiam em condições de absoluta necessidade”, destacou. “Estamos ampliando leitos, fazendo convocações, mas tudo isso tem limite”, acrescentou. Ele disse que o Estado não corre risco de desabastecimento de oxigênio. “Teremos dias muito difíceis.”

Coronavac é eficiente contra variante de Manaus, diz Butantan

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, também anunciou que um estudo preliminar feito pela instituição em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) apontou que a vacina Coronavac é eficiente na prevenção das variantes primeiramente identificadas no Brasil do novo coronavírus, chamadas P2 e P1, a segunda com origem identificada em Manaus. Ambas, especialmente a segunda, são associadas a um aumento na transmissão e na gravidade dos casos.

"Nós já sabíamos que os anticorpos produzidos pela vacina do Butantan já tinham eficiência contras as variantes do Reino Unido e da África do Sul”, comentou. “Portanto, estamos diante de uma vacina que é efetiva em proteção contra essas variantes que estão circulando nesse momento.” Outros detalhes do estudo, que colheu amostras de 35 pessoas, não foram divulgados pelo Butantan.

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