Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Com a crise, lucro da Sabesp cai pela metade e rodízio não está descartado

Valor de mercado baixou de R$ 18,1 bilhões para R$ 11,6 bilhões, conforme balanço de 2014; companhia informa ainda que, se estiagem continuar e reservatórios permanecerem reduzidos, não pode assegurar o fornecimento para toda a população

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2015 | 23h06



Atualizada às 23h25

SÃO PAULO - Relatório divulgado nesta quinta-feira, 26, pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) ao mercado financeiro aponta queda 53% no lucro da estatal em 2014, quando teve início a crise hídrica, e não descarta a adoção de rodízio oficial no abastecimento de água na Grande São Paulo. 

“Se a estiagem continuar e os níveis dos reservatórios permanecerem reduzidos, a Sabesp não poderá assegurar que o programa de bônus e outras medidas tomadas em 2014 e início de 2015 serão interrompidos, nem se terá condições de atender toda a população de sua área de atuação”, afirma a companhia.

Segundo o balanço financeiro anual, o lucro da Sabesp caiu de R$ 1,9 bilhão em 2013 para R$ 903 milhões no ano passado. Somente com o programa de bônus criado em fevereiro de 2014 para estimular a economia de água pela população durante a crise, a estatal deixou de arrecadar R$ 376,4 milhões. 

“A extensão da seca e as medidas adotadas provocaram uma redução gradativa do volume faturado de água e, portanto, uma redução da receita. Em 2014, o volume faturado de água caiu 3,1% e a receita operacional bruta decresceu 6,7%, comparada a 2013”, diz a companhia. A receita total, contudo, manteve-se praticamente estável, totalizando R$ 11,2 bilhões, apenas 0,9% menor do que no ano anterior.

“A Sabesp não pode garantir que ao final do programa de bônus, o referido consumo retornará aos níveis anteriores à atual crise de água. Um menor consumo per capita pode afetar negativamente nossos negócios e o resultado das operações no futuro”, informa o relatório. “Caso a seca persista, a companhia poderá ser obrigada a tomar medidas mais drásticas, incluindo a implementação do rodízio de água”, completa.

O balanço destaca ainda que mesmo com a conclusão do processo de reajuste tarifário em abril de 2014, muito aguardada pelo mercado e aplicado apenas em dezembro, após as eleições ao governo, “as ações da Sabesp ao longo do ano refletiram a imprevisibilidade dos efeitos da forte estiagem que tem atingido a área de atuação da companhia desde o final de 2013”. 

Os dados mostram que as ações da Sabesp sofreram desvalorização de 35,7% em relação a 2013 (no mesmo período o Ibovespa desvalorizou 2,9%), e o valor de mercado da companhia caiu de R$ 18,1 bilhões para R$ 11,6 bilhões em 2014. No início deste mês, a Sabesp pediu à Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) uma revisão extraordinária da tarifa para realizar um equilíbrio econômico-financeiro por causa da crise. No relatório, porém, a estatal não fornece mais detalhes da proposta.

No documento, a Sabesp destaca que reduziu em 56% a produção de água do Sistema Cantareira e em 30% a produção para a população da Grande São Paulo, de 71 mil litros por segundo para 50 mil l/s. Segundo a estatal, o consumo diário de água per capita na região metropolitana caiu de 163 litros por habitante para 126 l/hab.

Perdas. A companhia ressalta ainda que o índice de perdas de água tratada na distribuição caiu de 31,2% para 29,8%. A empresa afirma, contudo, que esse resultado, considerado significativo, é “influenciado pela ‘gestão de pressões’, cujo efeito deve ser anulado quando a operação se normalizar”. No início da crise, a Sabesp intensificou a redução da pressão da água, que atinge 60% da rede. Nos outros 40%, a estatal fecha manualmente o registro. 

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