Com 90% das mortes por gripe H1N1 do País, SP vive 'situação preocupante'

O Estado de São Paulo registrou neste ano pelo menos 55 mortes por gripe H1N1, o equivalente a 90% de todos os óbitos registrados no País. Até 12 de maio, dos 388 casos confirmados, 328 foram em cidades paulistas. No ano passado todo, foram 74. "Estamos muito preocupados", disse ontem Cláudio Maierovitch, do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde.

LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2013 | 02h00

Reuniões de emergência estão sendo feitas por videoconferência para acompanhar a situação. Participam dos encontros integrantes do Ministério da Saúde e da secretaria estadual. A estratégia prevê três frentes: ampliar pontos de distribuição do oseltamivir (remédio indicado contra a doença), reforçar com médicos, incluindo os de planos de saúde, a necessidade de seguir o protocolo de tratamento e orientar a população a buscar atendimento.

"Estamos enfrentando um surto. Não será surpresa se houver aumento de casos", reconheceu o coordenador do Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde, Marcos Boulos. Ele reforça a necessidade de a população não esperar para procurar ajuda. "O remédio é bastante eficaz, mas deve começar a ser tomado nas primeiras 48 horas do aparecimento dos sintomas."

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que ainda não há como estabelecer as causas do aumento de casos em São Paulo. Uma das hipóteses é a de que o Estado enfrente neste ano fenômeno ocorrido no Sul em 2012 - um aumento da circulação do vírus, que afeta principalmente não vacinados. "No Rio Grande do Sul, 65% dos óbitos foram de pessoas que deveriam ter sido vacinadas. Das mortes, só 4% tomaram oseltamivir nas primeiras 24 horas."

A Campanha Nacional de Vacinação contra gripe começou em 15 de abril e terminou no dia 10. Em São Paulo, a imunização foi prorrogada até o dia 29. A cobertura vacinal até agora foi de 85,7%. Padilha informou que, quando a campanha começou, já havia registro de mortes em São Paulo. Isso, no entanto, não indica que a imunização tenha começado tardiamente. "A vacina tem um pico de efeito protetor. O cálculo é feito para que esse período coincida com o pico do inverno." Maierovitch observa que a campanha deste ano foi antecipada em relação aos anos anteriores. "Mas neste ano a epidemia começou mais cedo." Questionado se o aumento de casos seria fruto de falha no atendimento, Padilha afirmou: "Só uma investigação detalhada poderá dizer as causas."

Estoque. A mortalidade por H1N1 é de 16% no Estado - índice considerado alto pelo governo federal. Boulos avalia que parte desse indicador é fruto da falta de procura por atendimento. Segundo ele, o Estado tem estoque suficiente do remédio.

Não há intenção de estender a vacinação a grupos além dos prioritários: gestante, mulher até 45 dias após o parto, idoso, menor de 2 anos, trabalhador da saúde e doente crônico.

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