Com 9 casos por dia em SP, estupro aumenta 20,8%

Para secretário da Segurança, causas são uso de drogas, mudança na legislação e mais denúncias de vítimas; especialistas discordam

Luciano Bottini Filho - O Estado de S.Paulo

25 Maio 2013 | 02h04

A cidade de São Paulo teve um aumento de 20,8% no número de estupros nos primeiros quatro meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. De janeiro a abril, foram 1.113 casos na capital - média de nove por dia.

Os dados fazem parte do balanço mensal da criminalidade divulgado pela Secretaria da Segurança Pública. O Estado já havia adiantado, no dia 17, que o índice de homicídios caiu pela primeira vez em nove meses em abril. A redução foi de 7,8% em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Para conter o avanço da violência sexual no Estado, que registrou alta de 10,6% no período (4.449 casos de janeiro a abril), o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, afirmou a que vai aumentar a repressão às drogas. Ele citou o caso de um usuário de crack preso anteontem após estuprar uma psicóloga que teve o carro quebrado na Marginal do Tietê. "Uma das hipóteses (para os estupros) é o envolvimento com drogas."

Mas, para Gislaine Caresia, presidente da Comissão da Mulher Advogada da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), a maioria dos estupros é de familiares e vizinhos. Ataques de rua têm proporção menor.

Outra justificativa dada por Grella para a alta nos estupros é uma lei de 2009 que alterou outra lei sobre violência sexual e considera atentado violento como estupro. Para o especialista em segurança Túlio Kahn, porém, o efeito da nova lei não existe mais.

O secretário disse também que mais vítimas estão denunciando um crime tradicionalmente subnotificado. "Houve crescimento dos registros em todo o País. Pode até ser uma conscientização, mas não dá para afirmar sem ter uma pesquisa de vitimização", diz Kahn.

Estatísticas. Ontem, foi a primeira vez em que Grella deu coletiva à imprensa sobre as taxas mensais da criminalidade desde que assumiu o cargo, em novembro. O destaque do discurso foi a primeira queda dos homicídios em nove meses. "Nunca me neguei a falar sobre os índices, sempre fomos transparentes."

A transparência com estatísticas será a base de um projeto de oferecer bônus a policiais pela redução dos índices criminais, anunciado nesta semana pelo governo. "Se houver uma queda brusca de registro de ocorrências em um distrito, é um sinal de que temos de averiguar o que está acontecendo", afirmou Grella. O secretário disse que o projeto está em elaboração. / COLABOROU DANIEL TRIELLI

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