Com 37,8ºC, São Paulo registra a maior temperatura em 71 anos

Temperatura foi medida por estação meteorológica na zona norte da capital; máxima anterior havia sido de 37,0ºC, em janeiro de 1999

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2014 | 16h09

Atualizada às 21h23

SÃO PAULO - A cidade de São Paulo bateu nesta sexta-feira, 17, o recorde de calor da história: 37,8°C, marcados às 14 horas na zona norte. Essa é a maior temperatura registrada na capital em 71 anos, desde que começaram as medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). E a previsão é de que os termômetros continuem subindo neste fim de semana. A marca superou os 37°C registrados em janeiro de 1999.

As altas temperaturas são resultado de uma forte massa de ar seco que se estabilizou sobre o Estado, diz o meteorologista do Inmet Marcelo Schneider. 

Associada a uma área de alta pressão atmosférica, ela impede a passagem de frentes frias. O fenômeno também provoca a diminuição da umidade, que ficou na casa dos 20% no início da tarde desta sexta. À noite, no entanto, as temperaturas despencaram por causa do aumento da umidade do ar e atingiram 19°C em alguns pontos da cidade às 18h30; uma queda de 18°C em quatro horas e meia.



O “bafo”quente levou os paulistanos a buscar um refresco, como sorveterias, piscinas e parques. “Viemos trocar umas roupas e aproveitamos para tomar um sorvete”, diz Nelly Pereira, de 48 anos, acompanhada da filha Manuela, de 12, em uma sorveteria nos Jardins. “Estamos apenas no começo da primavera, acho que teremos um verão pesado. Instalei ventilador em casa, mas estou arrependida de não ter colocado ar-condicionado.” 

A passeio na cidade, o casal Paula Garcia, de 36 anos, e Leandro Borges, de 34, também aproveitava para tomar um sorvete no fim da tarde. “Viemos de Brasília acreditando que lá estava quente, mas chegamos aqui e percebemos que está pior”, afirma Paula. “Fomos para Campos de Jordão e levamos roupas de frio, mas elas só fizeram peso na mala”, diz Leandro.

A máxima prevista para este sábado é de 37ºC; no domingo, os termômetros podem atingir 38°C. Já no interior, podem chegar a 43°C. O alívio, de acordo com o Inmet, virá a partir de segunda-feira, quando uma frente fria deve romper a massa de ar seco na região, levando a quedas significativas nas temperaturas, com máximas de 23°C e 22°C. Também há previsão de pancadas de chuva isoladas nesses dias, mas o volume maior de precipitação só é esperado para o próximo fim da semana.

Poluição. A combinação de calor e tempo seco dificulta a dispersão dos poluentes, contribuindo para uma maior incidência de problemas respiratórios. Segundo o pneumologista do Instituto do Coração (Incor) Gustavo Prado, não há como fugir completamente desses efeitos, mas existem medidas para minimizá-los. 

O sintoma mais comum nessas condições climáticas é a desidratação, especialmente em crianças e idosos. Por isso, o médico recomenda ingerir maior volume de líquidos e evitar bebidas alcoólicas.

Para quem costuma se exercitar ao ar livre, o conselho é evitar vias com maior circulação de veículos, principalmente nos horários de maior congestionamento, quando o calor é intenso e o risco de desidratação aumenta. 

Poucos pingos. A chuva não era esperada na capital no fim de semana, mas mesmo timidamente, deu as caras e gerou expectativas no paulistano. No início da tarde dessa sexta, choveu cerca de 3,8 mm, segundo medição do Inmet no Mirante de Santana. Até agora, o mês de outubro registrou apenas 7,6 mm de chuvas, número bem distante da média histórica mensal de 129,7 mm. As pancadas de chuva são o resultado do encontro da massa de ar quente com a brisa fria do mar. /ANA CRISTINA MAZEO RABELO e ANA PAULA MANSUR, ESPECIAIS PARA O ESTADO


Tudo o que sabemos sobre:
São Paulocalor

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.