Com 31 pessoas, posto médico paga R$ 26 mil a enfermeira

Justificativa para manutenção de equipe na Casa é que funcionários não têm plano de saúde pago pelo poder público

O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2012 | 03h34

Entre os 713 funcionários da Câmara que tiveram seus salários divulgados, estão 31 servidores da Secretaria de Assistência à Saúde. Trata-se de uma equipe de médicos, dentistas e enfermeiros que passa o dia à disposição dos vereadores e funcionários da Casa, sem atender o público externo. O gasto mensal da Câmara com a folha de pagamento desses funcionários é de cerca de R$ 300 mil mensais - ou R$ 3,6 milhões por ano.

O maior salário desse grupo é o da chefe do setor de enfermagem, que ganha todo mês R$ 26,7 mil, acima do teto municipal. Isso acontece porque o abono de permanência - pagamento extra feito a todo servidor que já é aposentado, mas quer continuar trabalhando - é considerado verba indenizatória e é uma das poucas exceções para o cálculo do teto do funcionalismo.

Na cidade de São Paulo, o valor máximo que o servidor pode receber de salário são R$ 24,1 mil, referentes ao salário do prefeito.

A unidade de saúde do Legislativo paulistano fica no 1.º subsolo, em uma sala ampla e bem cuidada, com ar-condicionado e cafezinho à disposição dos clientes. O acesso não é liberado para cidadãos que poderiam utilizar o local. A reportagem tentou visitar o setor, mas foi impedida por uma secretária que ficava na entrada. Segundo ela, apenas funcionários com crachá poderiam entrar na clínica. O local também pode ser usado por parentes próximos dos servidores, como filhos e cônjuges.

O gasto proporcional apenas com a folha de pagamento de profissionais como oftalmologistas, ortopedistas, fisioterapeutas e dentistas é de R$ 1,8 mil por funcionário da Câmara. Essa proporção é cerca de três vezes o que a Prefeitura de São Paulo gasta em saúde para cada um dos seus 11 milhões de habitantes.

Para 2012, por exemplo, o orçamento municipal prevê um total de R$ 6,7 bilhões em gastos com saúde, o que dá R$ 610 por habitante.

Contas. Se levado em conta apenas o que a Prefeitura gasta com o pagamento de salários, a discrepância é ainda maior.

Neste ano, será R$ 1,7 bilhão para os vencimentos de todos os médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde do Município, o que dá R$ 154 por habitante. O número é quase 12 vezes menor que o valor gasto pela Câmara para seus vereadores e funcionários.

Além disso, dos 31 funcionários listados no setor de saúde da Câmara, oito são comissionados. Isso significa que eles podem ser indicados pela direção do Legislativo e não precisam passar por concurso público para serem nomeados.

O salário líquido médio desses funcionários é de R$ 5,1 mil por mês. Já o da equipe completa é de R$ 9 mil mensais - sem considerar os descontos.

Explicação. A justificativa para a manutenção do serviço é de que os funcionários não têm plano de saúde pago pelo poder público. O presidente da Câmara, José Police Neto (PSD), não quis dar entrevista à reportagem para comentar esse e outros assuntos relacionados aos salários do funcionalismo. / D.Z. e R.B.

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