Com 2h de atraso, começa júri de comparsa de Champinha

'Pernambuco' é o principal acusado de ter efetuado o disparo na nuca que matou Felipe Caffé

Camilla Rigi, Estadão

07 de novembro de 2007 | 11h35

Com quase duas horas de atraso, começou às 10h50 o julgamento de um dos acusados de participar da morte do casal de namorados Liana Friedenbach e Felipe Caffé, mortos em 2003. Paulo César da Silva Marques, o "Pernambuco", está sendo julgado em Embu Guaçu. O crime aconteceu em Juquitiba, na Grande São Paulo. Como o caso corre em segredo de justiça, ninguém, além dos parentes das vítimas, tem Accesso ao local do Júri, que é formado por quatro mulheres e três homens. A previsão inicial é de que o julgamento dure dois dias. "Pernambuco", que responde pelos crimes de homicídio, seqüestro e cárcere privado e estupro, não foi julgado em julho de 2006 junto com os demais envolvidos por haver recorrido da sentença de pronúncia (decisão de submetê-lo a Júri Popular). O recurso foi negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Indignado com a demora para o desfecho do caso, o pai de Liana, Ari Friedenbach, chegou bem cedo à Câmara Municipal de Embu Guaçu, onde ocorre o julgamento. Ele criticou o sistema de Justiça brasileira por conta de recursos de advogados de Pernambuco para protelar o julgamento. "É difícil reviver tudo isso de novo. Tudo poderia ter sido resolvido no julgamento do ano passado", diz. Pernambuco é acusado de ter efetuado o disparo na nuca que matou Felipe Caffé. Muito abatido, o pai do estudante chegou às 9h30 ao julgamento. "Eu não sei qual será a minha reação quando ficar frente-a-frente com o assassino do meu filho. Não sei como vou reagir", afirmou pouco antes de entrar na Câmara.   Roberto Aparecido Alves Cardoso, conhecido como "Champinha", principal acusado do crime e não julgado por ser menor de idade à época, está recolhido em uma unidade de saúde da Fundação Casa (Ex-Febem), desde o dia 3 de maio de 2007, conforme determinação do juiz do Departamento de Execuções da Infância e da Juventude do TJSP. Em julho de 2006, três dos demais envolvidos no crime foram condenados por Júri Popular a mais de 169 anos de prisão. Agnaldo Pires a 47 anos e três meses de reclusão por estupro; Antonio Caetano da Silva a 124 anos por vários estupros; e Antonio Matias a seis anos de reclusão e um ano, nove meses e 15 dias de detenção por crime de cárcere privado, favorecimento pessoal, ajuda à fuga dos outros acusados e ocultação da arma do crime. O crime O crime aconteceu no dia 31 de outubro de 2003, uma sexta-feira, quando os namorados Liana Friedenbach, de 16 anos, e Felipe Silva Caffé, de 19, saíram para acampar sem que seus pais soubessem. Ela disse à família que viajaria com alguns amigos. Os pais da garota desconfiaram quando Liana não voltou para casa no domingo, 2 de novembro. Avisada do sumiço do casal, a polícia descobriu que os jovens foram vistos em Embu-Guaçu. Depois de mais de uma semana de buscas, a polícia localizou os corpos dos dois, a partir de informações de um menor preso. Identificado como Champinha, o menor admitiu ter participado do crime. Felipe foi morto com um tiro na nuca e seu corpo estava num córrego. Antes de ser morta, Liana ficou quatro dias em poder dos criminosos e sofreu abuso sexual. Três acusados do seqüestro e morte do casal de namorados já foram condenados a penas que variam entre 7 e 124 anos de prisão. Antônio Caetano da Silva pegou 124 anos por auxílio no seqüestro do casal e no estupro da menor assassinada. Agnaldo Pires, acusado de estupro da jovem, foi condenado a 47 anos e 3 meses de prisão. Antônio Matias de Barros foi condenado a 7 anos e 9 dias pela acusação de seqüestro, porte de arma e favorecimento pessoal. Pelo atual código penal Agnaldo Pires e Antônio Caetano devem cumprir no máximo 30 anos de reclusão. O quinto envolvido no caso é Champinha, tido como o líder da quadrilha e mentor do crime. Na época, ele tinha 16 anos. Por ser menor, foi para a Febem, atual Fundação Casa. Laudos médicos constataram que ele sofre de problemas mentais e não pode voltar a viver em sociedade. Por isso, foi feito o pedido de interdição em um estabelecimento específico.

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