Com 14% de renovação, Câmara troca 8 vereadores e elege 2 suplentes ao Senado

Mudanças não alteram geografia do poder na Casa; apesar de ficarem fora da eleição, lideranças antigas conseguiram emplacar afilhados

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2010 | 00h00

Oito parlamentares paulistanos vão deixar a Câmara Municipal de São Paulo para assumir, em 1.º de janeiro, cargos de deputado federal - cinco deles - ou estadual. Entre os oito novos vereadores, sete já exerceram mandato na Casa. A taxa de renovação de 14% das 55 vagas, considerada alta, não muda, entretanto, a correlação de poderes no Legislativo paulistano, dominado desde 2004 pelo "centrão" - bloco hoje formado pela bancada do PT e por outros oito partidos.

Dos oito suplentes, cinco devem votar em sintonia com o grupo liderado pelo presidente do Legislativo, Antonio Carlos Rodrigues (PR). Outros três que assumem pelo PSDB - Aníbal de Freitas, José Rolim e Tião Farias - já estiveram na Câmara e não conseguiram fazer oposição ao bloco. Por outro lado, dois tucanos que faziam críticas à atuação do "centrão" e mediam forças com seus representantes, Carlos Alberto Bezerra Júnior e Mara Gabrilli, conquistaram vagas para deputados estadual e federal, respectivamente.

Os políticos do "centrão" agem como fiel da balança nas votações do Legislativo. O grupo não fecha apoio permanente com nenhum prefeito, mas negocia a cada votação de projeto - muitas vezes seus representantes exigem cargos nas subprefeituras para votar temas de interesse do Executivo.

Rodrigues saiu ainda mais fortalecido das urnas. Ele é o primeiro suplente ao Senado na vaga de Marta Suplicy (PT). Petistas consideram que a campanha do vereador na zona sul, onde mantém reduto eleitoral na região do Campo Limpo, foi decisiva para a candidata nas últimas duas semanas, o que aumentou seu prestígio com a bancada do PT na Câmara, a segunda maior, com dez parlamentares.

Parentes. Segundo na hierarquia do "centrão", Milton Leite (DEM) também não participou de forma direta do pleito, mas elegeu seus dois filhos para vagas na Câmara Federal e na Assembleia - Alexandre Leite, de 21 anos, será o deputado federal mais novo do País. Para completar a força do grupo, Arselino Tatto (PT) ajudou a reeleger seus dois irmãos - Jilmar, federal, e Ênio, estadual -, além de ter colaborado para colocar na Assembleia o ex-secretário de Transportes Gerson Bittencourt.

A vereadora Marta Costa (DEM) também é a segunda suplente ao Senado na vaga obtida por Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e Senival Moura (PT) elegeu para a Assembleia seu irmão, Luiz Moura (PT), até então desconhecido na política da cidade.

OS NOVOS PARLAMENTARES

Carlos Néder (PT)

Substitui João Antonio (PT).

Deputado estadual, não se reelegeu. Médico, foi secretário na gestão Luiza Erundina (1989 - 1992) e três vezes vereador.

Tião Farias (PSDB)

Substitui Mara Gabrilli (PSDB).

Vereador entre 2005 e 2008, também já havia sido suplente na legislatura anterior. Foi assessor de Mario Covas.

Aurélio Nomura (PV)

Substitui Penna (PV). Advogado, foi vereador por três legislaturas: de 1993 a 1996, de 1997 a 2000 e de 2005 a 2008. Foi líder da bancada do PV em 2005.

Jonas Fontoura - Seu Madruga (PRP)

Substitui Marcelo Aguiar (PSC).

Ex-dono de um ferro-velho, Fontoura participou de sete eleições (veja mais ao lado).

José Rolim (PSDB)

Substitui Gabriel Chalita (PSB).

Líder comunitário na Favela de Paraisópolis, zona sul da capital, Rolim foi vereador na legislatura 2005/2008.

Áttila Russomanno (PP)

Substitui José Olympio (PP).

Russomanno foi vereador na legislatura anterior e candidato a vice-governador de Orestes Quércia na eleição de 2006.

Aníbal de Freitas (PSDB)

Substitui Carlos Alberto Bezerra Júnior (PSDB). Nunca foi eleito, mas como suplente já ocupou provisoriamente cadeira na Câmara Municipal em 2009.

Quito Formiga (PR)

Já era vereador na vaga de Marcos Cintra, atual secretário, Agora, na vaga de Jooji Hato, assume em definitivo. A suplência de Cintra ficará com Edir Salles.

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