''Colocaria minha família nesse avião'', diz diretor

Comandante da Noar diz que foi instrutor dos pilotos mortos e jamais ouviu relatos de problemas na aeronave: ''Voei 6 mil horas nesse modelo''

Ângela Lacerda e Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2011 | 00h00

RECIFE

Em seu primeiro comunicado oficial, na noite de ontem, executivos da Noar, emocionados, afirmaram que ainda buscam as causas do acidente.

"Também queremos saber", resumiu o diretor de Assuntos Corporativos e Comerciais, Giovanne Farias. Antes, o vice-presidente da empresa, Vicente Jorge, havia enumerado procedimentos de segurança e manutenção das duas aeronaves usadas pela empresa - peso adequado, experiência da tripulação e manutenções periódicas - a última durou três dias, terminou no domingo e teve participação de equipe da fabricante do motor GE, da República Checa.

"Já coloquei meus netinhos ali. Eu colocaria minha família nesse avião", afirmou o diretor de Operações da Noar, comandante Marcos Sendin, ao falar sobre a confiança nas aeronaves, que têm um ano de operação. "Sou usuário e como piloto já voei mil horas nesta aeronave sem nada ter a reportar sobre a sua segurança."

Ele foi instrutor dos tripulantes mortos e garantiu que o copiloto Roberto Gonçalves nunca relatou problemas de perda de potência da aeronave, como havia informado seu irmão, Jairo.

O presidente da empresa, Djalma Cintra Júnior, reforçou o comprometimento com a segurança e a qualidade, ao lembrar que as aeronaves têm seguro total, incluindo "a cobertura de terceiros". A capacidade de peso do L-410 é de 6,6 mil quilos e a aeronave transportava 5.559 quilos. "Se esse avião fosse inseguro, as seguradoras não aceitariam trabalhar conosco", completou o comandante Marco Sendin, diretor de Operações da Noar. "O Código Brasileiro de Aviação Civil é muito rigoroso."

Suspensão. Todos os voos da Noar foram suspensos ontem. Hoje a empresa deve voltar a operar com a única aeronave restante. Mensalmente, a Noar fazia 270 voos. No ano passado, transportou 37 mil passageiros entre Recife, Maceió, Natal e Mossoró - as quatro cidades onde opera.

 

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