Coletivos transportam 30 vezes mais pessoas que carros

Análise: Flamínio Fichmann

É ARQUITETO, CONSULTOR ESPECIALIZADO EM TRANSPORTES, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2012 | 03h01

As opções de vias exclusivas de ônibus feitas até agora têm seus benefícios inegáveis, mas estão longe de ser a solução adequada para o transporte na cidade. O que gostaríamos de ter aqui é um verdadeiro corredor de ônibus, o BRT, com cobrança externa de passagem e espaço para ultrapassagem. Esse meio de transporte tem capacidade para transportar cerca de 50 mil passageiros por hora - desempenho equivalente ao do metrô. Um exemplo está em Bogotá, na Colômbia.

Para cada local, no entanto, é necessário que se faça um estudo de demanda por transporte. Há áreas em que não se justificaria um investimento na construção de estações para o BRT. Existem ainda as alternativas de faixas à esquerda e à direita da via. As faixas à esquerda, sem conversões, têm um desempenho melhor, porque não há conflito com o tráfego em geral.

Em São Paulo, não há vontade política de investir em corredores de ônibus. Investe-se em metrô, em ferrovia, mas não se dá um tratamento adequado para os ônibus.

Se em vez de gastar R$ 1 bilhão em transferência para o Metrô, a Prefeitura tivesse investido esse mesmo valor em corredores de ônibus, faria uma diferença enorme para a malha da cidade. Essa foi uma escolha errada, porque a Prefeitura não pode deixar de acreditar no sistema de ônibus.

Se as faixas e corredores diminuem o espaço para os automóveis, não se pode esquecer que os ônibus transportam 30 vezes mais pessoas que os carros.

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