Coleta da Sabesp tem defeito, dizem moradores

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que um dos principais motivos que levam moradores a refazer as ligações clandestinas de esgoto após obras de saneamento é a má qualidade da rede de coleta instalada no local. Foi o que aconteceu em outro córrego que consta na lista de totalmente despoluído pelo Córrego Limpo: o Armênio Soares, no Itaim Paulista, zona leste da cidade. Moradores dizem que tiveram de voltar a lançar seu esgoto no córrego porque havia refluxo nos encanamentos feitos pela Sabesp. "O esgoto sempre entupia. E é melhor sujar o rio do que a pia da cozinha", afirma a catadora Cidália Correa do Nascimento.

, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2010 | 00h00

Há também relatos de córregos onde a própria Sabesp voltou a lançar os dejetos no curso d"água. Um exemplo é o Arboreto, que nasce no Horto Florestal, no Jardim Pery, na zona norte. Na lista oficial do Córrego Limpo, o riacho foi dividido em dois ? o Ciclovia, que teria sido totalmente despoluído, e o Pedra Branca, cujos principais trechos teriam sido recuperados.

No entanto, há esgoto sendo despejado no curso d"água e lixo acumulado nas margens. Segundo moradores, a Sabesp teria canalizado o esgoto de um conjunto de residências que o despejava diretamente no rio, mas, em vez de conectar o cano na rede de coleta, continuou lançando os dejetos no córrego. "Faltaram só dois metros de encanamento, que tentei negociar mas não consegui. Essas pessoas agora pagam taxa de esgoto mas, se você olhar, não mudou nada", diz o líder comunitário e conselheiro do Horto, Rubens Ferreira.

A situação é parecida no Córrego Limoeiro, em São Miguel Paulista, na zona leste. Ele também consta na lista dos 14 córregos que tiveram os principais trechos recuperados, mas há lixo no leito e dezenas de canos despejando dejetos ? e mau cheiro ? por quase toda a extensão. "De que adianta limpar parcialmente se para a gente não muda nada?", questiona o cabeleireiro José Aparecido Campos. / D. Z. e R. B.

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