Colégios tradicionais em áreas nobres viram alvo do mercado imobiliário

Encontrar terrenos livres na Chácara Santo Antônio, um dos bairros nobres da zona sul de São Paulo, é tarefa difícil. Ainda assim, um empreendimento de 26 andares começou a ser erguido a poucas quadras do Clube Hípico de Santo Amaro. No local, funcionava, até 2009, parte do tradicional Colégio Paralelo, o que mostra que a tendência de as escolas paulistanas venderem terrenos ao mercado imobiliário está longe de arrefecer.

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

A construção do condomínio Essência é mais um sinal do aquecimento do setor de habitação em São Paulo e da nova frente aberta pelas construtoras na busca por grandes terrenos, escassos na capital. A história começou no fim de 2009, quando máquinas de demolição passaram por cima de 2,4 mil m² construídos da escola para liberar o lote. As obras começaram no início deste mês e mais de 70% das unidades - cujo preço médio é de R$600 mil - já foram vendidas. A previsão de entrega é dezembro de 2012.

Para o vice-presidente do sindicato da habitação (Secovi), Cláudio Bernardes, a construção de condomínios em terrenos de escolas é consequência natural do equilíbrio do mercado. "Há uma escassez de terrenos enormes em São Paulo. E, em muitos casos, as escolas podem otimizar sua operação num espaço menor, utilizando o dinheiro da venda dos terrenos."

Outro exemplo é o do Colégio Batista Brasileiro. Quando o atual prédio da escola foi construído, em 1923, o bairro de Perdizes estava ocupado por casas simples e pelos primeiros casarões. Hoje, a região é um dos mercados mais caros da cidade. Graças à valorização, o colégio decidiu, em 2006, vender o prédio principal para saldar dívidas acumuladas nos últimos 15 anos.

Na época, falava-se numa transação de R$14,5 milhões. Pais de alunos e movimentos sociais, no entanto, não concordaram com a destruição do casarão histórico, e pediram o tombamento do prédio ao órgão municipal de proteção ao patrimônio (Conpresp). O conselho acatou o pedido de estudo - que ainda tramita no órgão - e impediu mudanças na fachada do casarão.

A saída para a crise financeira foi vender o terreno dos fundos, uma área de 8,5 mil m² onde havia quadras de futebol e um prédio com salas de aula. "É uma área muito valorizada. Vendemos uma parte para fazer investimento em outras áreas", disse o diretor do colégio, Gésio Medrado. Agora, duas torres de sete andares já estão praticamente erguidas, e apenas duas unidades ainda não foram vendidas. O preço médio é de R$ 2 milhões.

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