Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Colégio Ofélia Fonseca celebra 90 anos no sábado

História de Higienópolis, na capital paulista, se mistura à da instituição fundada por professora progressista na década de 1920

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2011 | 00h00

Centenas de ex-alunos do tradicional Colégio Ofélia Fonseca, em Higienópolis, no centro paulistano, têm um compromisso no próximo sábado. Está marcada para as 20h30, na sede da escola, a festa oficial que celebra o nonagésimo aniversário da instituição. Na programação, trailer de um documentário em produção pelos alunos do ensino médio e muita confraternização. "Todo este ano é de comemoração", comenta o diretor, Antonio Sergio Ferreira Brandão.

 

Brandão é o único representante da família de Ophelia - o "ph" do nome da instituição foi substituído na década de 1940 - que permanece no colégio. Sobrinho-neto da fundadora, ele assumiu a direção aos 24 anos de idade, em 1979. Na época, o Ofélia enfrentava a concorrência de novas escolas.

 

Antes de encarar a missão, Brandão foi pedir bênçãos à fundadora. Ophelia, então com 85 anos, vivia em sua chácara na Vila Galvão, em Guarulhos. "Comuniquei que ficaria com a escola, que continuaria seu legado. Tia Ophelia (que já tinha se afastado do dia a dia do colégio) ficou muito emocionada." Dois anos depois, ela participaria das festividades dos 60 anos da escola.

 

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linkAté a década de 1950, as turmas eram só femininas

 

Origem. Nascida em Itu em 8 de março de 1894 em uma família de cafeicultores, Ophelia foi normalista do Colégio Caetano de Campos. Iniciou sua carreira lecionando Português e Matemática no Colégio Elvira Brandão. "O bairro precisava de uma escola laica para atender a elite que queria um novo olhar", explica Brandão. O Ophelia (com "ph") foi fundado em 1921, como externato feminino, na Rua Sergipe. Em 1927, foi para a Rua Bahia.

 

"Ela era uma mulher muito progressista. Foi uma das primeiras, já nos anos 1930, a dirigir um carro em São Paulo", conta Brandão. Ophelia herdou do pai, Joaquim Manoel Pacheco da Fonseca, o gosto pela política. A professora simpatizava com os modernistas, tendo se aproximado deles após a Semana de 22. Em 1932, participou da Revolução Constitucionalista, costurando ela própria, nos porões do colégio, uniformes para os soldados paulistas. Ela viveu até 1984.

 

Participação. Os 55 professores do colégio foram informados, no ano passado, que 2011 seria dedicado à história da instituição. "Assim, ao longo deste ano, os alunos estão sendo incentivados a elaborar projetos referentes aos 90 anos do Ofélia", explica a diretora executiva Marisa Monteiro. Entre os trabalhos estão um gibi com a história do colégio e do bairro, releituras do logotipo da escola e uma retrospectiva dos uniformes ao longo das décadas.

 

Apesar de a festa mais importante estar marcada para sábado, as comemorações já começaram. No dia 14 de maio, alunos fizeram um passeio ciclístico no Parque Villa-Lobos. Ontem, efeméride exata da fundação, as aulas foram interrompidas nos dois períodos para que os 397 estudantes pudessem festejar e conhecer um pouco mais sobre a história do colégio. No dia 18, haverá na escola um festival de bandas de alunos e ex-alunos.

 

Mãe de uma aluna que está no 3.º ano do ensino médio, a jornalista Marilda Assunção Vieira arregaçou as mangas e está ajudando na divulgação das comemorações. "Minha filha estuda aqui desde os 6 anos. Acho bacana, porque é uma escola de médio porte muito humana. Não faz com que o aluno se sinta em um caixote", diz. "Temos uma preocupação em formar cidadãos com uma postura diferenciada frente ao conhecimento", explica a diretora Marisa, ela própria mãe de duas meninas que estudaram ali a vida toda.

 

Diferentes gerações

 

ANTONIO SERGIO FERREIRA BRANDÃO

DIRETOR DO COLÉGIO OFÉLIA FONSECA E SOBRINHO-NETO DA FUNDADORA

 

"Ofélia tinha a escola como objetivo de vida. E hoje temos a felicidade de participar da educação de gerações de famílias: temos alunos que são filhos e netos de ex-alunos"

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