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Colegas de menino morto pela GCM negam confronto com agentes

Eles afirmaram que não estavam armados; criança, segundo os garotos, tinha facilidade em abrir carros com chave mixa

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Os dois adolescentes que acompanhavam o menino de 11 anos morto com um tiro na nuca por um guarda-civil metropolitano durante perseguição em Cidade Tiradentes, na zona leste, foram ouvidos nesta terça-feira, 28, no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Eles têm 14 anos e afirmaram que não houve confronto e que não estavam armados.

O Estado apurou que os dois contaram que, por volta das 22 horas de sábado, dia 25, eles tentaram furtar um Gol. O menino de 11 anos, segundo eles, tinha facilidade em abrir carros com uma chave mixa e fazer ligação direta no motor. Como não conseguiram levar o Gol, furtaram um Chevette prata, mas foram vistos por um motoqueiro, que é entregador de pizza e avisou uma viatura da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

O menino de 14 anos que assumiu o volante admitiu que tentou fugir em alta velocidade. Eles afirmaram que perceberam os tiros da GCM, um deles acertou um dos pneus e o carro perdeu a estabilidade. O garoto afirmou que deu “um cavalo de pau” e parou próximo de uma quermesse. Ele correu para uma viela. O outro menino de 14 se misturou aos frequentadores da festa junina. Enquanto o garoto de 11 anos ficou agonizando no carro.

O guarda Caio Muratori afirmou à polícia que atirou quatro vezes no veículo após os ocupantes dispararem em direção à viatura. Os dois guardas que estavam com Muratori afirmaram que não viram o confronto. O agente foi autuado em flagrante por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), pagou fiança e vai responder às acusações em liberdade. Laudos periciais do carro devem ficar prontos em 30 dias.

Outros crimes. Os garotos prestaram depoimento acompanhados dos pais e do advogado Arles Gonçalves Júnior, da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção São Paulo. “É de conhecimento público que o DHPP trabalha com lisura. Minha função aqui é apenas atestar isso”, afirmou Júnior.

Ambos admitiram que praticaram três roubos e furtos de carros no bairro recentemente. O menino de 11 anos os acompanhava em alguns casos. Eles cumprem ordem judicial de liberdade assistida, porque foram apreendidos por roubar um carro com arma de brinquedo. 

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