Colegas de ativistas soltos comemoram decisão da Justiça

Sintusp diz que Harano ficará marcado para sempre como ‘marginal’ e ‘bandido’ após prisão. Coletivos cobram Tribunal de Justiça

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

07 Agosto 2014 | 20h02

SÃO PAULO - Os colegas de Fábio Hideki Harano e Rafael Marques Lusvarghi comemoraram nesta quinta-feira, 7, a decisão da Justiça de mandar soltar os ativistas, mas criticaram a forma como os dois foram tratados pela polícia e pelo Judiciário. 

“Não foi feita Justiça. A situação do Fábio ainda é de um marginal, um bandido. Ele é um trabalhador da Universidade de São Paulo que estava apenas reivindicando os direitos dele”, afirmou Solange Conceição Lopes Veloso, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e colega de Harano. “Por mais que eu esteja feliz com a liberdade dele, na verdade foi um injustiçado o tempo todo”, disse. Segundo ela, as provas contra o ativista foram forjadas pela polícia. 

Black bloc. “Ele jamais foi um black bloc, nunca andou com nenhum material explosivo na bolsa. Para que a Justiça seja realmente feita, o Estado precisa pagar uma indenização para ele”, disse Solange. “Mesmo com ele estando solto, livre, ninguém vai conseguir retirar essa marca que deixaram nele.”

Para Rafael Padial, do coletivo Território Livre, “pela primeira vez foi feita Justiça” após a prisão de Lusvarghi e Harano. “Infelizmente muitas outras prisões arbitrárias vão continuar existindo. Isso vale para os trabalhadores, a periferia e os estudantes. Vamos continuar lutando”, afirmou. 

Padial estava presente no protesto em que os dois foram detidos. Ele era um dos que negociavam com a Polícia Militar para o ato tomar as ruas. E afirmou que, após as detenções, os movimentos perderam força - por medo de novas prisões. “Os ativistas ainda estão com medo da truculência arbitrária e policial do Estado. Mas aos poucos vamos ganhando força”, afirmou. 

Padial também acredita que a Justiça mandou soltar os colegas para “voltar atrás”. Segundo ele, “pegou mal” para o Tribunal de Justiça a situação. “O próprio juiz que os tachou como ‘esquerda caviar’ teve de voltar atrás. Foi uma farsa que poderia criar uma manifestação maior. Para não aumentar a revolta, eles acharam melhor soltar os dois”, disse Padial. 

O coletivo Advogados Ativistas publicou uma nota na página de Facebook do grupo. “Justiça que tarda é falha”, dizia o título da publicação. 

Copa. O grupo Se Não Tiver Direitos Não Vai Ter Copa, que organizou o ato na Avenida Paulista em que os ativistas foram presos também comemorou. O coletivo desejou “bom retorno” aos dois manifestantes e cobrou a Justiça. Os ativistas pedem ainda que todas as acusações contra a dupla sejam retiradas.

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