COI: ataque a hotel não vai afetar Olimpíada

Polícia ainda tenta identificar bandidos que fugiram; governo volta a prometer UPP

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

A invasão de um hotel de luxo em São Conrado, uma das áreas mais nobres do Rio, não representa uma ameaça à realização dos Jogos Olímpicos de 2016 de maneira segura pela cidade. Essa avaliação foi dada oficialmente ontem pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que ressaltou que a comissão de seleção já havia avaliado todos os aspectos locais, incluindo a violência.

"No passado, o Rio e o Brasil mostraram que são capazes de abrigar eventos de grande porte de maneira segura", afirmou à BBC a porta-voz do COI, Emmanuelle Moreau. Ela ressaltou que "a segurança é sempre um aspecto importante de qualquer Olimpíada e prioridade do Comitê Olímpico". Apesar de admitir que "os planos para segurança são de responsabilidade dos governos", assegurou que o COI tem confiança "na capacidade das autoridades brasileiras".

O vice-governador, Luiz Fernando Pezão, disse ontem que serão necessários 2 mil homens para ocupar a Rocinha com uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). A previsão dele é que isso ocorra até 2014. "Abrimos concurso para 20 mil policiais. Dez mil serão para as UPPs. Não se forma esse efetivo de uma hora para a outra, mas nós vamos, sim, ocupar a Rocinha."

Imagens. Dois dias após a invasão do Intercontinental, a Polícia Civil tentava identificar pelo menos dez traficantes da Rocinha que escaparam após o confronto com policiais militares nas ruas. Os criminosos não entraram no cinco-estrelas, onde nove homens e um menor de 16 anos da mesma quadrilha fizeram 35 hóspedes reféns e acabaram presos. Os agentes da 15.ª DP (Gávea) recolheram imagens de sete câmeras do hotel e de dois condomínios vizinhos. Ainda ontem, o policiamento em São Conrado foi reforçado. Mas retirou-se a viatura que ficava na entrada do Vidigal.

O tenente coronel do 23.º Batalhão (Leblon), Rogério Leitão, disse que pretende condecorar os dois cabos, o sargento e o soldado que encontraram o grupo de traficantes armados, que voltava de uma festa no Vidigal e seguia para a Rocinha em motos, um carro e uma van. "É possível que eu ofereça a condecoração por ação meritória", disse Leitão. Segundo ele, nenhum dos quatro policiais foi ferido.

A PM tinha informações de que em alguma comunidade dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA) seria comemorada a festa do criminoso Jefferson do Nascimento Ferreira, o Fefo, líder do tráfico no Morro do Urubu, em Pilares, zona norte. No 23.º BPM, o Grupamento de Ações Táticas (GAT) foi ao socorro dos quatro policiais.

Ligações. O presidente da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha, Leonardo Rodrigues, negou ligações entre o tráfico e Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, que é presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Barcelos. A presença dele foi uma condição imposta pelos traficantes para a rendição. Feijão foi acusado pelo Ministério Público de ser o tesoureiro do tráfico. "Ele é um trabalhador e apenas acompanhou a mãe de um dos garotos", disse Rodrigues. Ele se referia a Ednalva de Jesus, de 58 anos, mãe de Ítalo Campos, de 26. Conhecido como Perninha, ele era apontado como o segundo na hierarquia do tráfico local.

Transferência

O desembargador Luiz Sveiter, presidente do Tribunal de Justiça, determinou ainda ontem à noite a transferência dos dez criminosos presos no sábado para o presídio federal de Rondônia.

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