Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Cobrança em parques enfrenta resistências

Estacionamento pago começou a ser adotado há dois meses e atinge 5 áreas estaduais; frequentadores se queixam, mas admitem melhorias

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2017 | 03h00

SÃO PAULO - A cobrança por estacionamento em parques estaduais da capital paulista completou dois meses. E ainda enfrenta queixas e cobranças da população.

Há um ano, os sábados de Andréia Luz, de 35 anos, começam por volta das 5 horas. Após abastecer o carro com equipamentos de ginástica, ela dirige cerca de 13 quilômetros de Pirituba, na zona norte de São Paulo, até o Parque Villa-Lobos, em Pinheiros, na zona oeste. É uma das sócias-proprietárias da assessoria esportiva Potencial Trainer, ao lado da instrutora de educação física Alessandra Navarro. Sem sede fixa, a empresa realiza atividades de treino funcional e orienta grupos de corrida no parque.

De 30 alunos, perdeu seis em dois meses. Um dos motivos apontados é a cobrança pelo uso do estacionamento do parque, prática iniciada em 6 de fevereiro. “Muitos já comentavam que custear as aulas estava apertado, até por causa da crise. Ter de pagar para deixar o veículo foi a gota d’água”, relata.

Como o Villa-Lobos, os Parques Cândido Portinari e Água Branca, na zona oeste da cidade, e da Juventude e do Horto Florestal, na região norte, começaram a cobrar pelo uso do estacionamento neste ano. O valor tabelado parte de R$ 2,50 (duas horas de uso para motocicletas) e chega a R$ 30 (até 12 horas de uso para ônibus). No âmbito municipal, o Parque Burle Marx, no Morumbi, e a Zona Azul do Parque do Ibirapuera são os únicos com estacionamento pago.

Com gestão de empresas privadas, o aluguel dos espaços é visto pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente como uma forma de arrecadação para possibilitar melhorias. No caso do estacionamento do Villa-Lobos, que também serve ao Cândido Portinari, a mudança representa um acréscimo de R$ 125,8 mil ao orçamento mensal do governo do Estado, de acordo com a secretaria.

A mudança está, contudo, dividindo opiniões entre a população. Diferentemente de Andréia, a fisioterapeuta Ana Elisa Faria, de 33 anos, a considera um “avanço” para o Parque da Água Branca, que costuma frequentar semanalmente para fazer compras na Feira Orgânica. “Isso aqui ficava uma bagunça. Antes cada um estacionava onde queria. Agora tem até manobrista”, diz ela, que considera o valor cobrado justo para o “padrão São Paulo”.

A aposentada Maria Angela Fernandes, de 78 anos, também concorda com a mudança. “Quando chovia, aqui ficava intransitável, não tinha como passar de tanta lama acumulada”, argumenta a moradora de Perdizes, que se exercita três dias por semana na Água Branca.

Segurança. Outra melhoria apontada é o fim da prática de deixar veículos no local, mesmo sem utilizar o parque, como aponta a pedagoga Alexandra Botsaris, de 49 anos. “A gente só aceita (uma imposição) quando tem um retorno, especialmente no sentido de segurança. Aqui já levaram o estepe do meu carro há uns dois anos”, afirma a moradora de Perdizes. 

Já a professora Maria Pinto, de 55 anos, chama a mudança de “antidemocrática”. “Cada vez mais se cobra por tudo.”

Um dos parques mais recentes a aderir à cobrança é o Horto Florestal, que passou pela mudança no dia 26, surpreendendo a técnica de enfermagem Fernanda Rodrigues e o marido Rudney, ambos de 37 anos. “É quase preço de shopping, mas isso aqui é um parque público – que ainda fica na periferia de São Paulo. Vamos ter de encontrar uma opção”, afirmou ele.

Administração. Procurada, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente informou não ter um levantamento de quantos frequentadores utilizam atualmente o serviço de estacionamento dos parques. E também não se manifestou sobre as críticas à cobrança. Segundo o governo do Estado , não há previsão de que outros estacionamentos passem a ser pagos. 

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