''CNH de médico'' pode evitar sequestros em maternidade

Recém-nascida levada por falsa profissional foi devolvida ontem à mãe; Cremerj cobra adoção de carteira obrigatória

Tiago Rogero / RIO, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2011 | 00h00

A recém-nascida Ayana Milla, sequestrada pela falsa médica Tanit Cardoso, de 27 anos, na tarde de sexta-feira, retornou aos braços da mãe no início da madrugada de ontem, no hospital particular São José dos Lírios, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio. Para evitar novos casos, o Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) quer a obrigatoriedade de apresentação da nova carteira de identidade do Conselho Federal de Medicina (CFM) nos hospitais.

 

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Após mais de 30 horas longe da filha, a auxiliar administrativa Eliza da Silva Barbosa, de 27 anos, amamentou normalmente a criança, e ambas receberam alta no fim da manhã. A falsa médica apresentou-se na tarde de anteontem à polícia. Mãe de dois meninos, de 3 e 7 anos, ela alegou que queria uma menina e, por isso, levou a recém-nascida. Segundo vizinhos de Tanit, ela teria adotado uma menina há dois meses, mas, na última semana, teve a criança levada pela mãe biológica. Há a suspeita de que, antes de levar Ayana, Tanit também tenha tentado invadir outros dois hospitais.

Além de indiciar Tanit por sequestro, a polícia investiga a existência de um comparsa. Já os dois hospitais particulares onde a falsária conseguiu entrar podem ser indiciados por omissão.

Segurança. A diretora administrativa do hospital, Alice Diniz, alega que não houve falha na segurança, e sim uma fatalidade. Segundo ela, alguém travestido de médico e portando uma carteira falsa pode entrar em qualquer unidade hospitalar do País.

A presidente do Cremerj, Márcia Rosa de Araújo, concorda que o risco existe, principalmente nas unidades particulares, onde é grande a entrada e saída de médicos que não constam do quadro fixo de profissionais. Uma solução para que casos como esse não voltem a ocorrer, segundo ela, seria a obrigatoriedade de apresentação da nova carteira de identidade do CFM.

"Nos moldes da CNH, é feita na Casa da Moeda e difícil de ser falsificada", disse. Estabelecida por resolução de 2007 do CFM, a nova carteira não é obrigatória e pode ser obtida nos conselhos regionais. Para Márcia, também é importante que hospitais aumentem a segurança nas portarias, principalmente de maternidades. / COLABOROU SABRINA VALLE

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