CNBB abre ação contra tráfico de pessoas

Igreja cobra programa para combater crime; bispo vê Copa com preocupação

Bernardo Caram / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 Março 2014 | 02h04

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou ontem, em Brasília, a Campanha da Fraternidade 2014, com o tema "Fraternidade e o Tráfico Humano". Entre os objetivos apresentados no texto-base da campanha estão a denúncia de situações causadoras de tráfico humano, a reivindicação de políticas públicas para a reinserção das vítimas e a promoção de ações de prevenção para o problema.

Uma das bandeiras da CNBB é a defesa de um trabalho conjunto entre a sociedade e o Estado. Segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, presente no evento, o governo federal já tem uma série de iniciativas sobre o tema. Mas, segundo Cardozo, o número de inquéritos policiais abertos sobre o tráfico de pessoas é muito pequeno em relação ao volume da realização desse crime, porque há uma resistência das pessoas a fazer denúncias. "O tráfico de pessoas é um crime subterrâneo", disse o ministro. "E o pior dos crimes é aquele que não pode ser detectado, porque não pode ser combatido."

Cardozo informou que será criado um comitê conjunto que vai buscar aprimorar as políticas, receber sugestões e enraizar a atuação da sociedade no combate ao tráfico de pessoas.

Para o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, a campanha tem um ponto concreto, que é a coleta de doações. O valor arrecadado pelas paróquias e dioceses vai para o Fundo Nacional de Solidariedade e depois é distribuído para pequenos projetos.

O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, afirmou que a exploração da pessoa é uma realidade aviltante que não está tendo suficiente atuação das autoridades. "Temos no Brasil delitos perversos que só se pode combater se tivermos grande consciência social", advertiu.

Dom Leonardo se disse preocupado com os grandes eventos que vão atrair muitos turistas ao Brasil. "Copa e Olimpíada são momentos difíceis, especialmente quando se trata da exploração de menores." Já Cardozo ponderou que esse tipo de crime deve ser combatido em qualquer circunstância.

Francisco. Também foi divulgada a mensagem do papa Francisco para a campanha. Em carta aos brasileiros, o pontífice destacou que não se pode ficar impassível ao fato de seres humanos serem tratados como mercadoria. Citando a exploração de trabalhadores, as mulheres obrigadas a se prostituir e o tráfico de crianças para remoção de órgãos, o papa pediu que os fiéis usem a consciência. "Como se pode anunciar a alegria da Páscoa sem se solidarizar com aquelas cuja liberdade aqui na terra é negada?"

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