Clubes de Pôquer querem distância do marco regulatório de jogos de azar

Frequentadores e empresários defendem que jogo é um esporte e depende da habilidade do jogador e não de sorte

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

17 Julho 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Enquanto empresários esperam a liberação de bingos e cassinos no Brasil, há quem queira mesmo é ficar de fora do marco regulatório dos jogos de azar. É o caso dos clubes de pôquer, que se dizem vítimas de preconceito quando são comparados a atividades ilícitas, cujo resultado depende exclusivamente da sorte.

“A gente quer que os legisladores nos esqueçam. Pôquer é um esporte, depende da habilidade do jogador”, diz Igor Trafane, o “Federal”, presidente da Confederação Brasileira de Texas Hold’em (CBTH). A seu favor, Trafane cita decisões judiciais, o reconhecimento do Ministério dos Esportes e um laudo do Instituto de Criminalística (IC) que aponta a distribuição das cartas como o único evento aleatório do jogo.

Em São Paulo, Trafane administra o H2 Club, que funciona em uma casa de luxo na Avenida Henrique Schaumann, em Pinheiros, zona oeste. O clube tem mais de 20 mil associados que pagam pelo menos R$ 150 para disputar torneios. Os frequentadores também podem jogar a qualquer momento, trocando dinheiro por fichas, na modalidade “cash game”.

Com interior bem iluminado, o local tem restaurante, serviço de manobrista e é frequentado principalmente por homens a partir dos 25 anos. Organizadores de partidas distribuem fichas entre as mesas. De cadeira em cadeira, uma massagista relaxa os músculos daqueles que estão jogando há muitas horas.

Um dos frequentadores mais assíduos é o ex-atacante do Corinthians Alexandre Silveira, de 42 anos, famoso pelo último sobrenome: Finazzi. “O pôquer tem muita estatística, muita matemática”, diz o atleta, que cursou Engenharia. “É difícil explicar a questão de ser esporte ou jogo de habilidade. Só quem é do universo vai entender.” 

No H2 Club, onde aparece mais de uma vez por semana, Finazzi prefere se exercitar no “cash game”, mas também participa de torneios. “Graças a Deus, eu tenho me dado bem. Talvez por isso fiz a opção de investir no pôquer”, afirma. “Muitos esportistas estão migrando para cá.”

Em março de 2015, a Polícia Civil discordou dos participantes do clube, realizou uma batida no local e dezenas de pessoas acabaram na delegacia, por envolvimento com jogo de azar. A casa voltou a abrir pouco depois. O Ministério Público pediu arquivamento do caso, por entender que o Texas Hold’em é uma modalidade esportiva.

A blitz policial foi motivada por uma denúncia de que turistas haviam perdido uma boa quantia no clube. “Envolver dinheiro não significa que é jogo de azar”, diz Uelton Lima, diretor do H2 Club. “‘Ah, mas me disseram que uma pessoa perdeu R$ 3 mil’. Caramba, se o problema é R$ 3 mil, manda fechar a loja do Louis Vuitton.”

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