Clima de parque de diversão

"Parece o Hopi Hari", conta o paulista Fernando Boni, em frente à colorida fachada de casas batizada de Rock Street, uma simulação da Bourbon, de New Orleans, que constitui a área de descanso do Rock in Rio. Logotipos de marcas conhecidas, prestando uma variedade de serviços, clamam pela atenção do público, formando uma vila de mentirinha como aquelas da Disney.

ROBERTO NASCIMENTO, ENVIADO ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h05

No meio do vai e vem, uma estátua humana de Freddie Mercury, pintado de ouro, derrete ao sol. Uma banda de bluegrass arranha seus banjos, outra de blues faz pose em frente a uma motocicleta. Tudo isso vai de mão em mão com o público do primeiro dia do megafestival: adolescentes de, em média, 15 anos e seus pais. As crias clamam por Rihanna e Katy Perry, os criadores por Elton John.

"O evento está incrível, mas esse é o lado mais careta. Tem cheiro de comida. Muita mãe, muito pai", conta Adriano Lima, namorado de Fernando. Os dois vieram de Ribeirão Preto para assistir às jovens divas, das quais, na opinião deles, Rihanna é a única que canta afinado. Elton John está nos planos porque tocou com Lady Gaga, fez música para Lady Di.

A porção mais experiente do público não reclama da programação extraída do Top 10 da Billboard. Paulo Penha, paraense de Maringá, esteve na primeira edição do festival, em 85, assistiu Queen, Rod Stewart, James Taylor e considerou seu dever trazer a filha de 19 anos para a nova edição do festival. "Aconteceram umas loucuras naquela época", conta. "Uma mulher tentou entrar no show da Nina Hagen com uma cobra no pescoço e foi presa", lembra. Quando a conversa chega na comparação com a outra edição do festival, Paulo se diz satisfeito com a organização.

E de fato, até o fechamento desta edição, havia pouca margem para erro no Rock in Rio 2011. Os banheiros estavam bem cuidados, as filas eram demoradas, mas não gigantescas. Quem procurou cerveja encontrou fácil, nas costas de vendedores ambulantes com serpentinas high tech. Quem não aguentou o calor, se refrescou nos chafarizes montados entre os palcos. Nem a ameaça de chuva, nula até agora, anda junto com a da lama, pois a grama do Rock in Rio é sintética, impermeável, inlambuzável.

Restava saber se o ambiente comportado da Rock Street se perpetuaria madrugada afora, quando o palco eletrônico, que liga seus alto-falantes às dez e meia da noite, dá início à balada do Rock in Rio. Um sistema de som e iluminação elaborado, que circula a pista de dança como os holofotes de uma arena, foi montado e promete dar conta dos graves necessários para fazer ferver a pista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.