Clientes matam dono de restaurante após briga

Comerciante advertiu dois rapazes que tinham deixado comida no prato; no dia seguinte, eles voltaram para matá-lo

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2013 | 02h04

Dois rapazes assassinaram com tiros à queima-roupa, anteontem, o dono de um restaurante em Planaltina (DF), cidade-satélite a 30 quilômetros de Brasília. Josafá Pereira da Silva, de 46 anos, foi atingido com três tiros, após repreender dois clientes por terem deixado comida no prato, o que é proibido no estabelecimento.

Segundo a regra, escrita no cardápio, o cliente paga R$ 7,99 para comer à vontade, desde que não deixe sobras. Os jovens, com suas acompanhantes, haviam ido ao restaurante na segunda-feira e deixaram comida no prato. Ao reconhecê-los na tarde de terça, quando voltaram para almoçar com um terceiro casal, Josafá os repreendeu e houve uma discussão.

Duas horas depois, a dupla voltou sem as mulheres e fez os disparos, fugindo em um carro dirigido por uma terceira pessoa, que os esperava na rua. O restaurante não tem câmeras de segurança, mas várias testemunhas presenciaram o crime. O local fica a 300 metros de um posto da Polícia Militar. Josafá foi levado ao Hospital Regional de Planaltina, mas não resistiu. Deixou mulher e três filhos.

Conforme os depoimentos colhidos pela polícia, os rapazes reagiram com agressividade ao serem repreendidos e um deles teria ameaçado o comerciante: "Nós vamos voltar, isso não vai ficar barato". Outra testemunha disse que apenas um rapaz atirou e o outro deu cobertura. Para o delegado Edson Medina, encarregado do inquérito, isso é indiferente. "Os dois planejaram e executaram o crime juntos. A tipificação é a mesma", afirmou.

Segundo depoimento de parentes, Josafá era ex-motorista de ônibus e, com a indenização do último emprego, montou o restaurante dois anos atrás. "Estamos todos chocados com essa violência", disse um parente que não quis se identificar quando deixou a delegacia.

O depoimento das testemunhas está sendo útil na identificação dos autores, segundo o delegado. "O motivo foi torpe, absurdo, estúpido e todo adjetivo mais que se possa imaginar", afirmou. Os rapazes, que aparentam pouco mais de 20 anos, podem ser condenados a até 30 anos de prisão.

Segundo o delegado, o caso chocou até mesmo policiais experientes da equipe. Ele disse que a captura dos criminosos acontecerá em breve.

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