Clientes de restaurante próximo à loja se escondem sob as mesas

Funcionários contam que houve correria entre os frequentadores do shopping e testemunhas ouviram disparo

Ana Bizzotto, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2010 | 00h00

O restaurante Nonno Ruggero, a poucos metros da Tiffany & Co., estava lotado no momento do assalto. O maître Alex Oliveira, de 31 anos, contou que houve pânico entre os clientes. "Todo mundo ficou apavorado. Os pais pediram para as crianças se abaixarem e todos se deitaram no chão, com medo de tiro. Teve cliente que até desceu para a cozinha, no subsolo", conta o maître. Um dos assaltantes, segundo ele, colocou a arma na cabeça do gerente do estacionamento.

O vendedor Flávio Rocha, de 33 anos, trabalha em uma loja em frente à joalheria e testemunhou o momento em que os assaltantes fugiram. Segundo ele, os ladrões estavam encapuzados, mas vestidos com roupas "normais" - jeans, camiseta e jaqueta. "Eles haviam rendido um segurança da loja do lado de fora. Estavam armados com metralhadora e um bateu com a arma na vitrine para chamar os que estavam dentro", descreve. "Depois, os outros saíram da joalheria com um segurança rendido e fugiram pela porta de emergência ao lado da loja, onde já havia um Gol esperando por eles. Levavam três bolsas e estojos."

Tiros. A vendedora Luciana Costa, de 25 anos, trabalha num stand de carros em frente ao serviço de valet. "Vimos um monte de gente olhando em direção à loja e depois veio todo mundo correndo para a nossa direção", conta Luciana. "Os clientes que esperavam o carro entraram correndo no shopping e todos se esconderam nas lojas, que fecharam as portas. Ouvi dois tiros do lado de fora, e a polícia só chegou meia hora depois."

Uma outra lojista que não quis se identificar trabalha no segundo andar do shopping e contou que fechou o estabelecimento por uns oito minutos", por recomendação de um bombeiro. "O shopping esvaziou de repente, mas poucos minutos depois voltou ao normal", disse a lojista.

A dona de casa Kamilla Yanovich, de 21 anos, ficou horrorizada com o episódio. "Estou com medo. Você vem aqui e acha que não tem perigo nenhum. Com a segurança que tem aqui, é um absurdo isso ter acontecido. Podiam ter mais cuidado, ainda mais por causa do público que vem aqui", disse. Seu marido, o empresário Emilio Anoviche, de 25 anos, atribui o episódio ao crime organizado. "Quando querem entrar em algum lugar, não tem jeito, mas acho que algum funcionário aqui de dentro deu dicas, senão eles não conseguiriam."

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